Grécia vai receber ajuda de 109 bi da zona do euro

Foi definido nesta quinta-feira o financiamento oficial total para o segundo pacote de resgate à Grécia. Um comunicado oficial resumiu o encontro das autoridades da zona do euro, onde foi definida a quantia de 109 bilhões de euros, sendo 37 bilhões vindos do setor privado, por meio de diversas medidas, entre elas um programa de recompra de dívida.

Este programa somaria um total de 50 bilhões de euros entre 2011 e 2014. De acordo com o comunicado, a contribuição líquida do setor privado do período de 2011 a 2019 seria de 106 bilhões de euros.

Além destas medidas, o fundo de resgate da zona do euro vai oferecer mais empréstimos de prazo mais longo com taxa menores ao país, com juros de cerca de 3,5%. Os vencimentos dos empréstimos também serão ampliados de 7,5 anos para no mínimo 15 anos e no máximo 30 anos. 

"Ofereceremos fontes adequadas para recapitalizar os bancos gregos se necessário", diz o texto do documento.

Entenda a crise

A dívida pública da Grécia alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Com uma dívida acima do nível necessário para permanecer da zona do euro, o governo tinha duas escolhas: voltar a adotar moeda local ou apertar os cintos e tentar um empréstimo internacional. E foi o que fez.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) ofereceram um pacote de ajuda de 110 bilhões de euros para a Grécia, no segundo semestre de 2010. O pagamento seria liberado em parcelas, mas já na primeira parcela houve o primeiro conjunto de cortes. Sem os empréstimos, Atenas não poderia pagar a dívida, e entraria em default. 

Pressionado com a afirmativa do primeiro-ministro grego, George Papandreou, que disse que, sem a ajuda, os cofres do país ficariam vazios "em questão de dias", o governo grego aprovou um novo pacote de austeridade em junho deste ano. Assim, ele pôde receber mais uma parcela de 12 bilhões de euros. 

A crise econômica movimentou a sociedade, que se revoltou com a expectativa de grandes cortes de gastos, de empregos, de salários, aumentos de impostos e vendas de ativos estatais. Sindicatos afirmam que a taxa de desemprego já ultrapassou os 16%.