Sexta-feira de reduções dos prêmios dos contratos de DI

A sexta-feira foi de ajustes para baixo na curva de juros futuros de longo prazo e estabilidade no curto prazo. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 negociado na BM&FBovespa apontou taxa anual de 12,46%, ante 12,47% da véspera. O DI de janeiro de 2013 projetou juro de 12,67%, frente aos 12,70% do último ajuste.

Além dos dados domésticos, a curva de juros futuros mais longa digeriu o desempenho da pesquisa PMI de algumas economias, dada uma expectativa de demanda global mais fraca (influenciada principalmente pela China).

Segundo um operador de renda fixa, a queda das commodities e do dólar, que operou descolado do cenário externo, também foi determinante para o recuo dos prêmios dos contratos de DI de longo prazo.

Na agenda doméstica do dia destaque para a produção industrial brasileira que avançou 1,3% em maio frente ao mês anterior na série com ajuste sazonal, após interromper em abril (-1,2%) a sequência de resultados positivos iniciada em janeiro último. Os dados reforçam a percepção de que novas elevações da taxa Selic virão nos próximos meses. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.

Segundo André Perfeito, economista da Gradual Corretora, os dados de produção industrial não apontam para nenhuma novidade numa primeira leitura e reforçam que estamos na fase de acomodação.

Ainda na pauta dos negócios, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 30 de junho de 2011 apresentou variação de -0,18%, -0,03 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada na última divulgação, impulsionado pela queda de Alimentação e Transportes.

O economista-chefe do Banif, Mauro Schneider avalia o cenário econômico básico brasileiro como inalterado. O atual recuo da inflação mensal deverá ser temporário e, dada a lenta desaceleração econômica, o economista continua a projetar o IPCA subindo 6,3% em 2011 e 5,5% em 2012. Visando assegurar que a inflação ao menos recue no próximo ano, a taxa Selic deverá ser elevada para 13,50%.

Schneider acredita que a elevação da Selic será o resultado de cinco ajustes seguidos de 0,25% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Dessa forma, o Banco Central (BC) manterá a sinalização de aperto monetário ativa durante o período de concentração das negociações salariais, buscando minimizar o aumento da massa salarial a ser gerado pelos dissídios coletivos e pelo reajuste, já contratado, do salário mínimo.