Barreiras comerciais não afetaram relações entre Brasil e Argentina

O impasse envolvendo a supensão da concessão de licenças automáticas para a venda de automóveis e autopeças da Argentina para o Brasil não contaminou as relações entre os dois países, assegurou o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O chanceler disse hoje (26) que “é natural” a ocorrência de controvérsias comerciais quando há relações intensas envolvendo as nações.

“É natural que isso ocorra entre dois parceiros comerciais que têm um comércio tão significativo, pode haver questões tópicas que surgem”, disse o chanceler brasileiro, no Itamaraty, depois de almoçar com a ministra dos Assuntos Exteriores e da Cooperação da Espanha, Trinidad Jiménez. “Isso acontece entre União Europeia e Estados Unidos”, comparou.

Patriota informou que conversou hoje com o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, sobre as negociações para a reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA). O país foi suspenso como punição ao golpe de Estado que depôs o então presidente Manuel Zelaya.

Nos último dias, o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, e o secretário da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, decidiram que representantes dos dois países farão reuniões mensais para discutir a questão das barreiras comerciais impostas por ambos os lados.

Há pouco mais de 15 dias, o MDIC suspendeu a concessão de licenças automáticas para os automóveis e autopeças importados da Argentina. A iniciativa fez com que a autorização para entrada dos produtos argentinos demore até 60 dias para ser aprovada.

Os argentinos resolveram adotar regra semelhante para os produtos do Brasil. Os empresários brasileiros reclamam da retenção nas alfândegas. Com isso, o prejuízo é imediato em relação a alguns produtos, como alimentos, enquanto outros sofrem com a concorrência interna, como calçados e pneus.