Piora externa estimula queda dos prêmios dos DIs

A segunda-feira foi de maior aversão a risco prevalecendo sobre os mercados globais. A curva de juros futuros recuou, principalmente, no longo prazo que são os vencimentos mais sensíveis a cena externa. As commodities apresentam expressiva queda, assim como os juros das treasuries.

Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 apontou taxa anual de 12,30%, ante 12,32% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2013 projetou taxa anual de 12,54%, contra 12,56% do último ajuste. Este papel foi o mais negociado com apenas 87,7 mil contratos fechados até o momento e giro de R$ 7,2 bilhões. Diante da cautela entre os investidores, o volume de negócios ficou reduzido.

A equipe econômica da Lerosa Investimentos avalia que a aversão ao risco aumentou hoje em todas as regiões com o noticiário desfavorável aos investimentos arriscados. A percepção é que a qualidade do endividamento soberano na região da zona do euro piorou, com a entrada da Itália no grupo de “quarentena” dos investidores. A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) deu perspectiva negativa para os títulos italianos. Na Espanha o atual governo sofre uma derrota, em um período de consolidação fiscal.

Internamente, os agentes financeiros avaliaram o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC). Segundo o documento a estimativa de inflação (IPCA) desceu de 6,31%, para 6,27%. Para 2012, a perspectiva elevou-se de 5,00% para 5,10%. Por sua vez, a aposta para a Selic em 2011 manteve-se em 12,50%, assim como para 2012 seguiu em 12,25%.

Ainda na pauta dos negócios, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 22 de maio apresentou variação de 0,96%, 0,13 ponto percentual abaixo da última apuração. O dado veio em linha com as expectativas destaque para o arrefecimento dos alimentos, vestuários, saúde e transportes.

Em relatório a equipe econômica da Infinity Asset avalia que a atividade aquecida e inflação em níveis muito altos seguem dificultando o trabalho da autoridade monetária. Uma análise mais detalhada, no entanto, indica que alguns fatores de pressão sobre os preços perderam força (ex: alimentos e transportes), com o próprio Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de maio apresentando uma aceleração pouco menor que a de abril, e que a economia brasileira expande-se em menor ritmo quando a comparação é feita em base anual (Caged e IBC-Br diminuíram o ritmo de alta).

Para o professor de economia da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), Evaldo Alves, o governo deverá elevar a Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para o dia 7 e 8 de junho. “A Selic deve chegar até 12,5% este ano”, projeta o professor.

Ainda segundo Alves, a meta inicial da inflação já foi ultrapassada há algum tempo, ficando muito difícil atingir os 4,5% ao ano. No entanto, o esforço deverá estar concentrado em não extrapolar os valores do intervalo de confiança delimitado, cujo limite é 6,5%. Os preços administrados estão em processo de estabilização, sinalizando alta até 4,95% para 2011 e até 4,5% para 2012. Os riscos e incertezas ficarão por conta das commodities e do déficit público, que não obstante os esforços do governo somente vão apresentar resultados palpáveis até o fim do ano.