Fabricantes de tablets apostam na redução de preços no Brasil

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e os principais fabricantes de tablets se manifestaram positivamente à diminuição de IPI para fabricação de tablets no Brasil, anunciada nesta segunda-feira pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante. À redução do imposto - de 15% para 3% - por meio de medida provisória aliou-se a isenção total de PIS/Cofins. Com os benefícios, a projeção geral é de menores preços ao consumidor.

"O consumidor sentirá os efeitos da MP a partir do momento em que o governo aprovar os pleitos de concessão de incentivos, apresentados pelas empresas instaladas no país, que encontram-se em análise", afirmou a Abinee em comunicado oficial.

Outra aspecto visto como positivo pela entidade foi o incentivo à produção local. As fabricantes de tablets Samsung, Motorola, ZTE e Asus elogiaram a decisão do governo federal e anuciaram a produção imediata no País com o benefício.

Para a Samsung, que já produz tablet em Campinas (SP), a medida provisória dos tablets é boa. "É uma boa medida porque desonera o produto, tudo que retira carga tributária é bom para o fabricante", afirmou Benjamin Sicsú, vice-presidente de novos negócios da Samsung. A empresa lançou em 2010 o Galaxy Tab, com tela de 7 polegadas, que não entra nas isenções porque tem recursos de telefonia integrados. "Como tem função de voz, é enquadrado como celular", explicou.

Já os futuros tablets com Android 3.0, os modelos Galaxy Tab 10.1 e 8.9, terão redução de preços graças à medida provisória. Os produtos serão fabricados no Brasil e a Samsung, diz o executivo, aguarda a publicação do PPB (processo produtivo básico) e da portaria interministerial com a regulamentação para começar a produzir os tablets.

Já a Asus, que vai lançar em breve o Eee Pad Transformer em versão importada no Brasil, elogia o anúncio da medida, pois poderá repensar a introdução de seus tablets no País e ter um preço bom para brigar com as demais concorrentes.

Marcel Campos, gerente de marketing e produto da Asus Brasil, explica que é preciso esperar pela publicação do PPB (processo produtivo básico) antes de comemorar os tablets mais baratos no Brasil. A medida provisória diz que os tablets precisam ser produzidos no País.

A Motorola, que já fabrica o Xoom em Jaguariúna (SP), também considerou a iniciativa positiva e revelou que já enviou comunicado ao Ministério de Ciência e Tecnologia para tentar se enquadrar às exigências para receber os benefícios fiscais. "A estratégia de precificação do tablet da empresa será revisada após a aprovação dos benefícios fiscais pelo governo", anunciou a empresa norte-americana.

A ZTE deve produzir seu tablet V9 na recém-inaugurada unidade de Hortolândia (SP) e também sob contrato com a terceirizada Evadin, em Manaus (AM). "Creio que o mercado passará a ficar mais aquecido a partir de agosto ou setembro. Os tablets são a grande promessa para o Natal. Pretendemos vender 150 mil unidades em um ano", disse o presidente da ZTE do Brasil, Eliandro Ávila, à agência Reuters.

A Acer e a Apple não quiseram comentar o assunto. O porta-voz da Semp Toshiba não foi encontrado.

De acordo com a empresa de pesquisa IDC, as vendas de tablets no Brasil devem chegar a 300 mil unidades em 2011, com maior movimentação correndo no último semestre do ano. Apesar da desoneração já estar valendo, o IDC avalia que o impacto será mais relevante nas vendas de 2012, levando-se em conta o tempo de produção dos dispositivos fabricados no país.