Aversão a risco potencializa cautela e eleva cotação do dólar

O aumento da aversão a risco e a queda das commodities resultou em novo dia de cautela. Neste cenário, o dólar chegou a atingir a cotação máxima de R$ 1,640, fechando a R$1,633 para venda, avanço de 1,05%. O Banco Central (BC) comprou dólares no mercado à vista a uma taxa média de R$ 1,6314. A liquidação financeira da operação acontece na próxima quarta-feira (25).

A divisa acompanhou os movimentos negativos dos mercados globais, devido aos dados econômicos da China pior do que o esperado e com as empresas de rating alterando as classificações de risco para a Grécia, aumentando a especulação em torno dos títulos soberanos gregos e o rebaixamento de estável para negativa as expectativas da economia na Itália, aprofundando a crise da divida na zona do euro, avalia o gerente da Treviso, Reginaldo Galhardo.

“A troca de ativos de maior risco pela segurança dos títulos do governo norteamericano, dólar e ouro, fortaleceu o dólar frente às moedas estrangeiras. Com aumento das incertezas na Comunidade Europeia quanto à crise da divida que assola a região, fica claro que a recuperação da economia mundial terá muitos obstáculos para transpor”, ressalta Galhardo.

O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da atividade total nos 17 países que compõem a zona do euro registrou decréscimo em maio deste ano para 55,4 pontos, ante 57,8 pontos em abril, mostrando a taxa de expansão mais fraca em sete meses.

Na China foi divulgada a pesquisa HSBC PMI sobre o desempenho da atividade industrial, registrando moderado arrefecimento no mês de maio, passando de 51,8 para 51,1 ponto. O dado teve grande impacto sobre o mercado de commodities, desvalorizando os papéis de petrolíferas e mineradoras. Segundo o relatório da ICAP Brasil, o mercado reage aos efeitos da política monetária contracionista sobre a atividade e manutenção de uma inflação mais alta.

Nos Estados Unidos, os agentes seguem preocupados com os sinais de que o mundo cresce menos, o que acaba fortalecendo a aversão ao risco. Por lá, o dia foi fraco de indicadores econômicos. Na agenda, destaque para o índice de atividade nacional dos Estados Unidos que recuou em abril deste ano, ante o mês anterior, passando de 0,32 pontos para -0,45 pontos.

Por aqui, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que a balança comercial brasileira apresentou saldo positivo de US$ 286 milhões na terceira semana de maio de 2011 (entre os dias 16 e 22).

Os agentes avaliam o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta manhã. De acordo com o documento, a previsão para a taxa de câmbio em 2011 foi finalizada em R$ 1,62, a mesma da semana anterior. No mesmo sentido, para 2012 a taxa permaneceu em R$ 1,70.