Inflação levará 42 milhões de pessoas à pobreza na Ásia e no Pacífico

BRASÍLIA - A economia asiática deverá crescer 7,3% em 2011. No entanto, esse crescimento virá acompanhado de inflação e do aumento da pobreza no continente. A previsão do relatório anual da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para Ásia e Pacífico (Escap) é de que 42 milhões de pessoas podem cair na pobreza. O relatório, publicado desde 1957, está sendo lançado hoje pela primeira vez no Brasil.

De acordo com o documento, o crescimento de 7,3% confirma a previsão de “forte crescimento” para a região e o ritmo de recuperação pós-crise. Em 2010, o crescimento registrado foi de 8,8%. O relatório registra, ainda, que há “riscos e incertezas” para a região em consequência da alta de preços dos combustíveis e dos alimentos – fator que deverá desencadear inflação para os países do continente – além dos reflexos esperados das catástrofes naturais e da volatilidade do fluxo de capitais.

O relatório aponta que a alta de preços de alimentos e combustíveis prejudicará diretamente as populações pobres e vulneráveis. Projeções do estudo apontam que “a bolha inflacionária pode levar 42 milhões de pessoas à pobreza em 2011”. Em 2010, 19 milhões de pessoas passaram por essa situação.

Além disso, o documento projeta um cenário em que, com a duplicação dos preços dos alimentos em 2011 e a elevação do preço médio do barril do petróleo para US$ 130, alguns países em desenvolvimento demorarão cinco anos a mais para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O relatório chama a atenção dos governos da região para a necessidade de sistemas de proteção social, já que na Ásia e no Pacífico há mais de 950 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. A médio prazo, o documento sugere investimentos em políticas que ampliem o consumo, por meio da oferta de empregos e de qualidade e promoção da agricultura e do desenvolvimento rural.

“Por causa do desastre no Japão, a economia da região terá uma retração de 0,1% para cada 1% de retração econômica japonesa”, informou o diretor do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), das Nações Unidas, Rathin Roy. No entanto, ele pondera que o impacto regional da tragédia “foi mais limitado do que o previsto anteriormente”.

Roy prevê, com base no relatório, que as regiões mais dinâmicas serão as exportadoras de commodities que tiverem demanda interna mais aquecida. “Para manter o crescimento dinâmico, será necessário fomentar a demanda interna por meio de programas de inclusão social, a exemplo do que tem sido feito no Brasil. Além disso, será necessário melhorar a conectividade entre as economias da região e investir na capacidade produtiva dos países mais pobres”, acrescentou.