Dólar segue em queda e pode testar novo piso de R$ 1,60

SÃO PAULO - O dólar continua sua trajetória de desvalorização ante o real nesta quarta-feira, influenciado pela entrada de capital estrangeiro no Brasil. Instantes atrás, a moeda americana cedia 0,25%, a R$ 1,604 na venda.

Segundo especialistas, o dólar pode testar em breve o novo piso de R$ 1,60. João Medeiros da Pionner Corretora acredita que o Banco Central (BC) deve defender com mais agressividade este piso. Isto porque, fala-se nas mesas de operações que se o câmbio romper o nível de R$ 1,60, pode facilmente atingir a casa de R$ 1,50.

De acordo com Medeiros, a reclassificação de risco pela Fitch, que melhorou a nota do  Brasil, combinado com a boa situação financeira do país e os altos juros pagos em reais, a tendência é continuar recebendo grande somatória de dinheiro. “O Brasil é o país que mais se procura para investimentos. Somos um polo atrativo de capital e estamos pagando o preço do sucesso”, avalia.

Para fazer frente a todo este fluxo, o governo já adotou uma série de medidas, mas que, na visão do Fundo Monetário Internacional (FMI), não funcionou. Documento divulgado pela instituição afirma que as medidas adotadas pelo governo brasileiro para conter os fluxos de capitais, como as relacionadas ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não tiveram efeito de longo prazo sobre a taxa de câmbio, e que o real está sobrevalorizado. No ano passado, o governo brasileiro elevou duas vezes, para 6,38%, o imposto sobre aplicações de estrangeiros no mercado renda fixa.

Mundo afora, as atenções se voltam para as decisões de política monetária. Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Federal Reserve esvaziou as apostas de um aperto monetário no curto prazo. Já na Europa, a expectativa que o Banco Central Europeu (BCE) irá subir os juros na reunião de amanhã para 1,25% ao ano impulsiona o euro.