Ajuda ao desenvolvimento bateu recorde em 2010

A ajuda pública ao desenvolvimento (APD) dos países ricos chegou aos 129 bilhões de dólares em 2010, um recorde, apesar da crise, apesar desta cifra ser inferior às promessas feitas por estas nações, anunciou nesta quarta-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

A ajuda dos 23 países do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD), que reúne os principais doadores, alcançou 129 bilhões de dólares em 2010, segundo o balanço anual.

"Trata-se do nível mais alto alcançado até agora em termos reais e supõe um aumento de 6,5% em relação a 2009", acrescenta o clube dos países mais ricos do planeta. Em 2010, a APD representou 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB) destes países, frente a 0,31% do ano anterior.

No entanto, as promessas feitas em 2005 para alcançar os objetivos do Milênio não foram cumpridas.

"Faltam ainda 19 bilhões de dólares", diz a OCDE.

Na cúpula de Gleneagles (Grã-Bretanha), em 2005, "os doadores do G8 contemplaram um aumento de 25 bilhões de dólares de APD para a África", recorda a organização. "Mas as estimativas preliminares indicam que a África recebeu apenas 11 bilhões adicionais".

Os 15 Estados membros tanto do CAD como da União Europeia (UE), que havia se comprometido em aumentar a ajuda a 0,51% de seu PIB em 2010, só chegaram a 0,46%, ainda longe do objetivo de 0,7% fixado para 2015.

Alguns países são mais disciplinados que outros. Bélgica e Finlândia superam o limite de 0,51%, enquanto a Suécia, Dinamarca, Luxemburgo e Holanda superaram 0,7%.

Os Estados Unidos, primeiro doador em volume, respeitam desde 2009 sua promessa de dobrar a ajuda à África subsaariana em relação a 2004.

Em compensação, Alemanha e Itália estão muito longe de seus compromissos.