Fluxo limita movimentos de recuperação do dólar ante real

O dólar tenta recuperação ante o real nesta terça-feira, em linha com o cenário externo, em meio ao clima de aversão ao risco. Mas após flutuar entre R$ 1,608 e R$ 1,614, a moeda norteamericana fechou a primeira etapa em leve baixa de 0,12%, vendida a R$ 1,608.

A alta é limitada, porém, pelos ingressos de recursos em direção ao Brasil. André Perfeito, economista da Gradual Investimentos analisa que as perspectivas de crescimento do Brasil acima da média dos países desenvolvidos, as condições fiscais relativamente em ordem e uma capacidade crescente de proteger-se de choques externos mantém o país como rota de investimentos.

E a percepção positiva do empresário estrangeiro com relação ao Brasil pode ser vista pelo volume de Investimento Estrangeiro Direto, que em 2010 foi recorde e bateu a barreira dos US$ 48 bilhões.

Ontem, a agência Fitch elevou o rating do Brasil para 'BBB' em moeda local e estrangeira, com perspectiva estável. Para Perfeito, outras agências devem seguir o mesmo caminho da Fitch em breve e melhorar o prospecto dos títulos brasileiros. “O que foi sacramentado ontem já era evidente para o investidor que não esperou o selo triplo B para ficar comprado em Brasil no longo prazo”, comenta.

O economista lembra que as taxas de juros no Brasil estão completamente fora de parâmetro ao comparar com nossos parceiros emergentes, como Peru, México e Chile. “Com os juros domésticos (em termos reais e nominais) num patamar tão elevado não há política econômica que acomode sucesso econômico com câmbio adequado”, finaliza.  

No mercado de divisas, o euro tem um pregão negativo, apesar da perspectiva de juros maiores na zona do euro ainda nesta semana, refletindo a ação da Moody’s. A agência de classificação de risco reduziu a nota de Portugal pela segunda vez em menos de um mês diante das crescentes incertezas política, fiscal e econômica.

Os investidores também analisam a decisão do banco central da China de elevar a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual. Com a medida, a taxa de empréstimo de um ano subiu para 6,31% e a de depósito para 3,25%.

Na agenda do dia, os players globais aguardam com grande expectativa a ata da última reunião do Federal Reserve, que tende a indicar se o prazo do programa de flexibilização quantitiva, o QE2, tende a ser reduzido.

Vale mencionar que ontem à noite, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária, operação simultânea de câmbio para a renovação, repactuação e assunção dos empréstimos externos. A ação visa complementar e reforçar a medida que elevou para 6% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em empréstimos externos de até um ano, fechando uma brecha existente na medida original.