Déficit de Portugal em 2010 alcançou 8,6%

O déficit público de Portugal foi de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, muito acima do objetivo de 7,3% com o qual o governo português havia se comprometido com as instituições europeias, anunciou nesta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Este resultado inclui gastos de três bilhões de euros vinculados à "reclassificação" de várias empresas públicas de transporte e aos prejuízos do banco BNP, nacionalizado.

Sem estes valores, levados em consideração após um "diálogo" com a agência europeia de estatísticas Eurostat, o déficit público de 2010 teria ficado em 6,8% do PIB, segundo o INE.

No início de janeiro, o primeiro-ministro demissionário português José Sócrates, afirmou que o déficit público para 2010 estaria "claramente abaixo" do objetivo de 7,3% do PIB.

A notícia do déficit maior que o previsto representa um novo golpe para o país, num momento em que o governo de Sócrates estima não ter "legitimidade" para negociar um plano de resgate.

Depois de um déficit recorde em 2009, revisto de 9,3 a 10% do PIB (Produto Interno Bruto), o governo socialista aplicou vários pacotes de austeridade, mas a dívida pública continuou aumentando ano passado até 159,5 bilhões de euros (92,4% do PIB), segundo o INE.

Já preocupados com a solvência do país, los mercados estiveram ainda mais tensos depois da renuncia de Sócrates semana passada, após o parlamento rejeitar um novo plano de rigor fiscal para evitar o recurso a uma ajuda externa.

O presidente português Aníbal Cavaco Silva realizava nesta quinta-feira as últimas consultas prévias para a convocação de eleições legislativas antecipadas, para sair do atual impasse político.

Portugal é considerado o próximo candidato a uma ajuda financeira internacional semelhante à já recebida por Grécia e Irlanda, outros dois membros da Zona do Euro.

Os prazos financeiros espreitam o governo luso, que deve pagar 4,2 bilhões de euros da dívida no dia 15 de abril e outros 4,9 bilhões no dia 15 de junho.

Apesar de muitos economistas acharem que Portugal não escapará a um pedido de resgate, o governo de Lisboa continua resistindo.

"Posso dizer a vocês que não recebemos nenhum pedido de assistência financeira da parte de Portugal", informou num encontro com a imprensa, em Washington, a diretora de relações exteriores do FMI, Caroline Atkinson.