Dissidência sobre mínimo leva Dilma a excluir PDT de reunião

BRASÍLIA - Após a confirmação do PDT como o partido da base governista que mais apresentou dissidências na votação do novo valor do salário mínimo, a presidente Dilma Rousseff convocou nesta quarta-feira 15 parlamentares aliados para a primeira reunião de líderes, no Palácio do Planalto, desde que tomou posse, mas excluiu os pedetistas do encontro.

A legenda, que tem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, como representante no primeiro escalão na Esplanada, disse por meio do líder do partido na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), que, mesmo se tivesse sido convidada, não iria se sentar à mesa com a presidente e ignorar o embate ocorrido por conta do reajuste.

"Ela está fazendo uma opção de isolar o partido. Foi para evitar constrangimentos, já que eu como líder encaminhei a votação do salário mínimo pelos R$ 560. Mesmo se convidado, eu não iria", disse o parlamentar ao Terra. Ainda sob o efeito de ter batido de frente com o Palácio do Planalto na disputa pelo reajuste, Queiroz acusa o governo Dilma de ter "imposto" o valor de R$ 545 para o salário mínimo.

"Não quiseram conversar. Impuseram de cima para baixo. O governo tem caixa, poderia ajudar e conceder um reajuste maior. Não temos nenhum constrangimento de não termos sido convidados. Foi melhor assim", observou ele, que defendeu ainda o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), principal articulador do PDT pela tese de maior salário mínimo. "Paulinho fez o papel dele de líder sindical", resumiu.

Ao longo das negociações sobre o salário mínimo, o Palácio do Planalto mobilizou ministros - Guido Mantega, da Fazenda, e Carlos Lupi, do Trabalho, buscaram "convencer" os deputados a manter os R$ 545 - e líderes governistas para garantir que não haveria risco de derrota no primeiro embate do governo Dilma.