Rio está entre as 10 metrópoles que melhor reagiram à crise mundial

RIO - O Rio de Janeiro está entre as 10 metrópoles mundiais que melhor têm reagido à crise financeira global. De acordo com a pesquisa Global Metro Monitor, realizada em Londres, o Rio saltou da 100ª para a 10ª posição e está à frente das gigantes Nova York, Paris, Berlim, Madri e Barcelona.

O estudo, publicado em conjunto pela London School of Economics e pela Brookings Institution, compara o dinamismo econômico das 150 maiores metrópoles do mundo nos períodos anterior (1993-2007) e posterior (2008-2010) à crise, e aponta o Rio como a cidade que melhor enfrentou a crise econômica mundial, já que nenhuma outra metrópole teve o mesmo desempenho.

A pesquisa analisou os itens “geração de emprego” e “aumento de renda”, e o destaque do Rio se deu pelos resultados positivos que vem apresentando ao longo dos últimos anos. Só nos últimos três anos, o Estado gerou cerca de 450 mil empregos e registrou um crescimento de 60% no número de novas empresas. Com isso, o índice de desemprego no estado (5%) está abaixo da média nacional (6%) e é quatro vezes inferior aos 20% registrados na Espanha, por exemplo.

De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, esse balanço positivo é resultado de uma série de estratégias adotadas pelo governo – inclusive para a capital – para a atração de novos empreendimentos para o estado.

- Criamos um ambiente propício com desenvolvimento tecnológico, melhoria do ambiente de negócios, incentivos financeiros e tributários e investimentos em capacitação profissional de mais de R$ 80 milhões - ele explica.

Bueno ressalta que, na área de petróleo e gás, o Rio é o maior produtor do país, com 85% da produção total, e que a expectativa para os próximos anos é passar para 95%, já que 60% dos campos de petróleo do pré-sal se localizam no estado.

Em relação à agenda esportiva internacional, o secretário analisa que os eventos são fundamentais para atrair os recursos necessários para o início de novas atividades privadas e para melhorar a infraestrutura urbana, o que irá tornar o estado e a cidade do Rio de Janeiro mais modernos e desenvolvidos.

O presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), Marcelo Urani, observa que o Rio investe em setores com perspectiva, como petróleo e gás, turismo de eventos, construção civil e siderurgia. Ele destaca que o crescimento do ciclo econômico fluminense, nos últimos anos, está no descobrimento do pré-sal, no aumento de exportações e importações e na instalação de siderúrgicas e portos, além de investimentos na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

Para Urani, esses fatores serão os grandes protagonistas do futuro no estado, fazendo com que o Rio ganhe dimensões econômicas internacionais.  - Temos muito a festejar, pois foi em plena turbulência que atraímos uma enorme quantidade de investimentos públicos e privados. Estamos apenas no começo de uma década que promete ser dourada, mas ainda temos muito trabalho pela frente. A recuperação é efetiva e é muito bom que ela esteja começando a ser reconhecida internacionalmente - diz Urani.

Ele observa ainda que as conquistas do Rio surgem após quase meio século de decadência econômica, política e social, que deixaram sequelas bem visíveis à população.

O ranking da Global Metro Monitor é liderado por Istambul, na Turquia, e a cidade chinesa de Shenzen aparece em segundo lugar. Aliás, quatro das dez metrópoles mais dinâmicas do mundo são chinesas, mas as economias emergentes também ganharam destaque. O terceiro lugar ficou com Lima, no Peru, e Santiago, no Chile, aparece em 5º.

No Brasil, apenas o Rio figura entre as 10 principais. São Paulo ocupa a 25ª posição e Belo Horizonte, a 22ª. O dinamismo do Rio de Janeiro desbancou Nova York (77º lugar), Paris (96º lugar), Berlim (111º lugar), Madri (142º lugar) e Barcelona (148º lugar).