FAO: preços dos alimentos alcançam nível de alta histórico

Os preços mundiais dos alimentos alcançaram, em janeiro, o nível mais elevado dos últimos 20 anos, segundo o índice da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), divulgado nesta quinta-feira, em Roma.

Os preços aumentaram 3,4% com relação a dezembro de 2010, alcançando 231 pontos no índice estabelecido pela FAO.

Este é "o nível mais alto desde que a FAO começou a calcular os preços dos alimentos em 1990", destacou a organização das Nações Unidas em um comunicado.

Os aumentos foram particularmente importantes nos produtos lácteos (+6,2%), nas oleaginosas (+5,6%) e nos cereais (+3%), devido a uma queda da oferta de trigo e milho. Ao contrário, a carne não teve aumento de preço.

As altas mais significativas ocorreram na Ásia (Bangladesh, China, Índia, Indonésia) e na Rússia. Na África, Somália e Uganda foram muito afetados pelas más colheitas de sorgo e milho.

Além disso, os problemas políticos na Costa do Marfim, principal centro de distribuição da África ocidental, contribuíram para o aumento dos preços.

"As novas cifras mostram claramente que a pressão para elevação dos preços mundiais dos alimentos não perde força", comentou o especialista da FAO, Abdolreza Abbasian.

Este é um tema de "grande preocupação para os países de poucos ingressos, que correm o risco de encontrar problemas para financiar suas importações de alimentos e para os lares pobres, que gastam grande parte de seus recursos em comida", acrescentou este economista, citado em um comunicado da FAO.

"Há toda uma série de fatores que poderiam gerar problemas no mundo e os alimentos são um deles", acrescentou, em entrevista à AFP.

A elevação dos preços dos alimentos, que começou em agosto, faz temer a explosão de "revoltas da fome", como as que ocorreram em 2008 em vários países africanos, bem como no Haiti e nas Filipinas.

Segundo Abbassian, vários destes países "aprenderam a lição dos episódios anteriores", por exemplo aprendendo a administrar melhor os preços.

Mas, segundo este economista, "é evidente que atravessamos um período difícil" e que "não há nenhuma esperança hoje em dia de que os preços voltem a um nível considerado normal, pelo menos antes do verão" boreal.

A alta dos preços dos alimentos tem sido citada entre os fatores que desencadearam os recentes movimentos de protestos no norte da África e que levaram à queda, no mês passado, do regime tunisiano de Zine El Abidine Ben Ali, no poder durante 23 anos.

Para a FAO, "o aumento dos preços se deve a uma demanda em alta e às preocupações com as reservas de trigo de boa qualidade".

"Além disso, o mercado se vê empurrado pela alta dos preços do petróleo e a fragilidade do dólar", acrescentou.