Incubadoras ajudam alunos a montarem empresas próprias

 

Depois de vários anos na faculdade estudando com afinco, universitários resolvem começar a sua própria empresa quando têm o diploma na mão. Porém, o medo do fracasso e o desconhecimento em negócios muitas vezes impedem que bons projetos cheguem até o mercado.

Pensando nisso, várias universidades do País contam com as chamadas incubadoras. Ali, os estudantes podem usufruir de uma infra-estrutura já pronta, cujo objetivo principal é apoiar a formação de empresas, normalmente relacionadas à tecnologia. Para Lucimar Dantas, gerente de operações da incubadora da Coppe/UFRJ, o local traz aos ¿incubados¿ um conhecimento de gestão fundamental. "Esse empreendedor, que é altamente qualificado tecnicamente, normalmente não tem um perfil de negócios", opina. Assim, ali os recém-empresários recebem capacitação e assessoria no assunto, para suprir a deficiência.

Os metereologistas Fábio Hochleitner e Ricardo Marcelo da Silva, ex-alunos da UFRJ, aproveitaram a iniciativa e estão há três anos na incubadora da Coppe/UFRJ. Enquanto pensavam que tipo de empresa poderiam administrar, perceberam que queriam fugir do que já existia. "Não queríamos ter um negócio comum, só com aquela previsão básica", conta Hohchleitner, sócio da Aquamet. Atualmente, ele e Silva fazem estudos das condições da atmosfera e do oceano como apoio ao setor de energia, como petróleo, gás e elétrica. Na incubadora, encontraram a estrutura necessária para tira a ideia do papel. Hohchleitner lembra que, mesmo sendo iniciantes no mercado, estar dentro do parque tecnológico da Coppe também agregou valor ao negócio, já que esta é uma instituição de pesquisa bastante reconhecida.

Apesar de serem vinculadas a universidades, nem sempre as incubadoras são exclusivas dos seus estudantes ou ex-alunos, e algumas nem os priorizam. "Mas claro que acaba sendo mais fácil para quem já conhece os caminhos dentro da instituição", lembra Lucimar. O que a maioria foca, sim, é apoiar projetos de inovação e de base tecnológica, especialmente em temas abordados em pesquisas da universidade. No caso da incubadora da Coppe/UFRJ, por exemplo, das 18 empresas residentes, apenas duas têm alunos que recém entraram no mestrado. Todas as outras são ou doutores (como no caso dos sócios da Aquamet) ou alunos do doutorado, e os negócios são na área de Tecnologia da Informação ou que precisam de TI para prestar os seus serviços.

Além de ser uma oportunidade ótima para recém-formados, a incubadora mostra-se interessante para a própria universidade, por ter um valor social. "É uma saída do conhecimento que foi gerado dentro da instituição, ofertando isso ao mercado", afirma a gerente. Há ainda uma importância financeira, já que essas empresas também geram taxas e royalties que vão para a universidade.

Mas nada é para sempre. Os incubados têm um tempo máximo para viver dentro do campus. Depois é hora de alçar voo solo, já com um espaço delimitado no mercado. Na incubadora da Coppe/UFRJ, o contrato é de três anos, porém a saída pode ser adiada por mais dois. "Eles costumam ficar três anos ou menos, mas é possível haver uma prorrogação se o negócio precisar de mais tempo como incubado para se estabelecer", diz Lucimar.