Emprego e déficit centrarão discurso de Obama no Congresso

WASHINGTON, 23 Jan 2011 (AFP) -O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, insistirá na retomada do mercado de trabalho, no estímulo às pesquisas e na luta contra os déficits durante o discurso anual sobre o Estado da União na terça-feira, diante de um renovado Congresso, no qual os republicanos têm mais força.

O chefe de Estado democrata, que iniciou a segunda metade de seu mandato e já prepara a campanha para tentar a reeleição em 2012, deve expor os objetivos para este ano na Câmara de Representantes e Senado.

A economia e o emprego devem ser o centro das preocupações, enquanto os Estados Unidos se esforçam para apagar os danos da recessão de 2008-2009. A taxa oficial de desemprego ainda supera 9%, apesar de alguns sinais de recuperação.

O presidente prometeu na sexta-feira acelerar ainda mais a economia para promover a criação de empregos, mas também pretende executar o "saneamento orçamentário", destacou o porta-voz Robert Gibbs.

Os republicanos, que acusam o governo de ter permitido o crescimento dos déficits, prometeram reduzi-los com o corte de gastos, agora que contam com maioria na Câmara de Representantes.

"Como não há uma solução milagrosa, Obama falará das muitas formas com que espera estimular o crescimento econômico e a criação de empregos", afirmou à AFP Thomas Mann, analista de Ciências Políticas do Instituto Brookings de Washington.

No início de dezembro, o presidente expressou o desejo de que os Estados Unidos estimulem o ensino e a pesquisa, que para Obama são vitais para a futura prosperidade do país.

Mas depois da derrota dos democratas nas eleições legislativas de novembro, Obama terá que negociar com os republicanos, que mesmo ainda como minoria têm a capacidade de bloquear iniciativas no Senado.

"O discurso não estará necessariamente limitado às propostas legislativas e pode definir um programa político e legislativo, sobre o qual basear a campanha de 2012", completa Mann.

"Obama vai nos pedir para trabalhar de maneira conjunta, para atender os desafios", disse o senador democrata Richard Durbin.

"A primeira coisa é deixar a recessão para trás e a segunda é nos livrarmos da dívida", completou.

O discurso de terça-feira deve um indício sobre as tentativas para obter uma colaboração entre os dois lados, após um fértil mês de dezembro no Congresso.

No último mês de 2010, Obama se comprometeu com os adversários a prolongar temporariamente a anistia tributária herdada da era Bush, conseguiu derrubar a lei que proibia aos homossexuais servir abertamente nas forças militares e obteve a aprovação do tratado START com a Rússia.

Com tudo isto, a aprovação de Obama superou 50%, o maior nível em 16 meses.

Os republicanos reagirão de maneira dividida ao discurso presidencial: uma resposta será da direção do partido e outra do movimento ultraconservador "Tea Party".