Otimismo externo favorece queda do dólar

SÃO PAULO - O dólar recua seguindo o otimismo dos mercados globais com o início da safra de bons balanços de grandes corporações americanas. As atenções também se voltam para a Europa, mais especificamente para Portugal, que efetuou pela manhã a rolagem da sua dívida. O leilão foi bem sucedido e trouxe alívios aos negócios. No fim da primeira etapa, o dólar caiu 0,47%, a R$ 1,68 na venda.

Na oferta portuguesa foram vendidos € 1,250 bilhão de títulos, com demanda três vezes maior. Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso, lembra que a operação era tida com um teste importante sobre o nível de confiança do investidor no país e da capacidade do governo de lidar com a crise. "Com isso, a Europa empurra com a barriga a crise para mais para frente, deixando as expectativas para os próximos leilões de títulos soberanos da região", comenta.

Além do leilão, bons dados econômicos divulgados na região do euro alimentam a melhora de humor. A Alemanha cresceu mais rápido do que nas ultimas duas décadas, 3,6% em 2010, reflexo do bom desempenho das exportações e do crescimento dos investimentos. Na Itália, a produção industrial surpreendeu ao mostrar alta de 1,1% em novembro enquanto em Portugal, a inflação ao consumidor subiu ao invés de mostrar arrefecimento na margem, passando de 0,2% para 0,3% em dezembro.

Nos EUA, a inflação dos produtos importados tiveram alta de 1,1% em dezembro na relação mensal, em linha com as expectativas. E pela tarde, o Federal Reserve divulga o Livro Bege - importante sumário sobre as condições da economia norteamericana.

Internamente, o Banco Central divulgou o fluxo cambial. A conta começou o ano de 2011 com expressivo saldo de US$ 4,099 bilhões em janeiro até o dia 7 (cinco dias úteis). Neste período, as intervenções do governo no mercado à vista de câmbio somaram US$ 1,364 bilhão.