Aversão ao risco prevalece e Ibovespa recua 1,27%

A aversão ao risco dominou os negócios na BM&FBovespa nesta quarta-feira. Apesar de indicadores econômicos positivos nos Estados Unidos, o Ibovespa se descolou de Wall Street, mais uma vez, e terminou em baixa de 1,27%, aos 67.870 pontos. A sessão contou com giro financeiro de R$ 8,642 bilhões, em dia de vencimento do Ibovespa Futuro.

As preocupações com a situação fiscal de alguns países europeus retornaram e prejudicaram o andamento dos negócios. Isso porque a agência de classificação de risco Moody's prevê um novo rebaixamento da nota "Aa1" da Espanha, em consequência das "necessidades elevadas de refinanciamento para 2011" e das dificuldades do país para obter financiamento nos mercados. 

De acordo com relatório da Lerosa Investimentos, a agência de classificação de risco não alertou somente a nota de crédito da Espanha, como também “que o problema não é somente na dívida soberana, mas nos bancos e governos regionais que precisarão de financiamentos adicionais em 2011”, destacou. 

“A história é a mesma com a situação da Europa, ou seja, as preocupações continuam. Diante da alta verificada nessa semana, os investidores aproveitam para realizar lucros”, considerou Luiz Roberto Monteiro, assessor de investidores da Corretora Souza Barros.

Nesse sentido, Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora, disse que a notícia ruim da Europa atrapalhou o desempenho do Ibovespa. “A Espanha gerou preocupação com os bancos, que precisam ser capitalizados. Além disso, outros países dão sinais de problemas e a dúvida é: será que haverá ajudar para todos?”. 

Já nos Estados Unidos foram divulgados indicadores econômicos bons, mas que não foram suficientes para deixar a cautela de lado. A atividade manufatureira da região de Nova York registrou significativa em dezembro de 2010, passando de -11,14 para 10,57. E a produção industrial também superou as projeções ao subir 0,4% em novembro deste ano, na comparação com o mês anterior.

Ainda na região, o pacote fiscal alcançado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi aprovado no Senado norteamericano hoje. Foram 81 votos a favor e 19 contra do texto que prorroga por dois anos, para todos os norteamericanos, o alívio fiscal aprovado em 2001 e 2003 durante o governo George W. Bush e que expiraria no dia 31 de dezembro próximo.

No âmbito doméstico, nem mesmo a expansão dos preços do petróleo no mercado internacional foi suficiente para alterar o comportamento negativo das blue chips Vale e Petrobras. As preferenciais da mineradora recuaram 0,76% e da estatal petrolífera diminuíram 1,78%.