Espanha insiste que está à margem da crise irlandesa

BRUXELAS - A ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, voltou a afirmar nesta quarta-feira em Bruxelas que seu país está "cumprindo com seus deveres" para remediar a situação financeira - mantendo-se, portanto, à margem da crise irlandesa, apesar do temor dos mercados de que haja um contágio pela Eurozona.

"É verdade que o nervosismo dos mercados afeta a todos" os parceiros da Irlanda que integram a zona do euro, mas a "Espanha está cumprindo com seus deveres e se separou de outros países que estão tendo ''spreads'' mais altos", explicou Salgado, referindo-se ao encarecimento das emissões da dívida de Estados como Portugal, ao chegar a Bruxelas para uma reunião dos ministros europeus das Finanças.

A Europa e o Fundo Monetário Internacional (FMI) preparam neste momento um plano de resgate do setor bancário irlandês, que será colocado em prática se Dublin assim o solicitar nos próximos dias.

Os bancos irlandeses, muito expostos ao estouro da bolha imobiliária, estão em situação catastrófica. A maioria, no entanto, já havia sido nacionalizada e recebido ajudas bilionárias do governo irlandês, que por sua vez enfrenta um déficit público de 32% do Produto Interno Bruto (PIB).

Salgado indicou que seu governo "não pediu" à Irlanda que "aceite o plano de resgate", apesar do receio dos mercados de que, sem uma solução imediata para os problemas bancários irlandeses, a crise se espalhe por outros países muito endividados da Eurozona, como Portugal e Espanha.