Banco Central vai intimar ex-diretores do PanAmericano

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) vai intimar até sexta-feira os ex-diretores do Banco PanAmericano para que expliquem as inconsistências contábeis que levaram a instituição a acumular um rombo de R$ 2,5 bilhões. O BC já encontrou indícios suficientes para abrir um processo administrativo contra os executivos, que terão entre 15 e 30 dias para se defender. O órgão encerrará também nesta semana as investigações dentro do banco e o resultado será enviado ao Ministério Público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o BC, o banco tinha despesas incompatíveis com as receitas. O órgão investiga o mascaramento de prejuízos com fraudes bancárias - a principal seria a não contabilização da venda de carteiras de crédito para outras instituições financeiras.

Ainda não está claro porque o PanAmericano acumulava perdas, mas uma das hipóteses é a concessão de empréstimos no ramo de alto risco de automóveis usados. O BC identificou ainda indícios de desvio de dinheiro por parte dos ex-diretores do banco.

O PanAmericano nega a hipótese e informa que o foco da investigação é a fraude nas carteiras de crédito.

 

O caso

O Banco PanAmericano anunciou na última terça-feira que o Grupo Silvio Santos, seu controlador, iria aportar R$ 2,5 bilhões na instituição para restabelecer o equilíbrio patrimonial e a liquidez, após "inconsistências contábeis" apontadas pelo Banco Central. A autoridade monetária não forneceu detalhes, mas um processo administrativo de investigação vai apurar a origem e os responsáveis pelo problema de falta de fundos. A injeção de recursos no banco foi feita por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é uma entidade sem fins lucrativos que protege os correntistas, poupadores e investidores. São as instituições financeiras que contribuem com uma porcentagem dos depósitos para a manutenção do FGC - sem recursos públicos.

A holding do Grupo Silvio Santos colocou à disposição empresas como o SBT e a rede de lojas do Baú da Felicidade, entre outras, como garantia pelo empréstimo, que tem prazo de dez anos. Especializado em leasing e financiamento de carros, o PanAmericano teve 49% do capital votante vendido para a Caixa Econômica Federal em dezembro de 2009, por R$ 739,2 milhões. O presidente do BC, Henrique Meirelles, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, e as empresas de auditoria que não verificaram o rombo devem prestar esclarecimentos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Com autorização do BC, as atividades das lojas e o atendimento ao público continuam sem problemas, segundo a instituição.