Afundada em crise, Irlanda evita recorrer à ajuda da União Europeia

 

DUBLIN - A Irlanda, afundada em seu déficit, admitiu nesta segunda-feira manter "contatos internacionais" sobre a situação econômica do país, mas negou ter pedido ajuda financeira externa, em meio ao aumento da pressão para que aceite fundos da União Europeia (UE). O governo irlandês tenta convencer os países da UE de que pode solucionar esta crise sozinho, em parte porque qualquer intervenção poderia ser considerada uma cessão de soberania num contexto político interno já tenso.

"As conversas prosseguem em nível oficial com colegas internacionais em meio às condições atuais do mercado", declarou um porta-voz do ministério das Finanças, insistindo em frisar que a "Irlanda não fez nenhuma solicitação de ajuda ao exterior".

"Devemos resolver os nossos próprios problemas", afirmou, por sua vez, em uma entrevista concedida à rádio privada Newstalk, o secretário de Estado irlandês de Assuntos Europeus, Dick Roche, após intensas especulações sobre um recurso iminente da Irlanda ao fundo de resgate europeu.

A delicada situação das finanças públicas irlandesas suscita "inquietação" para a estabilidade financeira do "conjunto da zona do euro", admitiu nesta segunda-feira um porta-voz da Comissão Europeia. "Sim, estamos em contato com as autoridades irlandesas. Sim, há inquietação na zona do euro sobre a estabilidade financeira no conjunto" da região, admitiu o porta-voz. "Mas dizer que a Irlanda esteja pressionada (para que recorra) a um mecanismo (de resgate) é um exagero", acrescentou.

Segundo vários meios de comunicação britânicos, na noite de domingo houve "discussões de emergência" em Bruxelas sobre as condições de uma ajuda europeia à Irlanda que poderia alcançar os 90 bilhões de euros (122 bilhões de dólares). Os países da zona do euro também se preocupam com um possível "contágio" da situação irlandesa a países como Portugal e Espanha.

"Não gostaria de dar lições ao governo irlandês, mas acho que deveria decidir o mais adequado tanto para Irlanda como para o euro", afirmou o ministro português da Economia, Fernando Teixeira dos Santos, incentivando-a indiretamente a aceitar a ajuda, em uma entrevista à agência Dow Jones.

Os bônus irlandeses se estabilizavam nesta segunda-feira a 8,152%, na sequência de uma declarção tranquilizadora de cinco ministros das Finanças europeus na sexta-feira, durante o G20. As taxa dos bônus irlandeses dispararam na semana passada em níveis sem precedentes em meio a temores dos investidores de que o país não possa controlar um déficit de 32% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

O porta-voz do ministério das Finanças reafirmou nesta segunda-feira que a "Irlanda está totalmente financiada" até a metade de 2011 e não precisa recorrer aos mercados.