Mantega: sistema financeiro deve se basear em outras moedas além do dólar

SEUL - Na véspera das reuniões dos líderes políticos mundiais, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje em Seul, na Coreia do Sul, que há reações negativas à decisão do governo dos Estados Unidos de comprar US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro na tentativa de conter a desvalorização da moeda norte-americana. Para Mantega, deve haver uma reforma no sistema financeiro mundial para que a economia não se baseie apenas no dólar.

Mantega disse que, para evitar que eventuais crises nos Estados Unidos atinjam o restante do mundo, o ideal é definir uma nova ordem no sistema financeiro internacional a partir da multimoeda.

Como exemplo, o ministro citou o que ocorre com o direito especial de saque que autoriza o uso de quatro moedas distintas – o dólar, o yuan (da China), o euro (da União Europeia) e a libra esterlina (da Inglaterra).

Para Mantega, as reações negativas de vários países, principalmente os em desenvolvimento, em relação à decisão norte-americana pressionarão o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a adotar alterações.

Segundo o ministro, o documento final da Cúpula do G20 – que reúne as maiores economias mundiais – incluirá o alerta de parte da comunidade internacional sobre a ameaça de desequilíbrio para a economia global devido a medidas isoladas por parte de alguns governos. O texto será divulgado na sexta-feira (12).

A advertência, segundo Mantega, é válida também para a China, o Japão e a Alemanha, que adotaram medidas internas na tentativa de salvar as exportações e acabaram afetando o mercado global. “Haverá [no documento] referências às possibilidades macroeconômicas para os países que sofrem interferência de manipulação cambial”, disse ele.

De acordo com o ministro, as divergências existentes entre os integrantes do G20 atualmente não são maiores do que outras registradas em discussões em anteriores. “Nós tentamos o entendimento, mas imaginem que são 20 [governos de] países olhando vírgula por vírgula e cada detalhe, não é fácil.”

Mantega lembrou que as dificuldades atuais são agravadas pelos obstáculos vividos por alguns países que não conseguiram ainda vencer os efeitos da crise financeira mundial. “Há divergências e diferenças internas, como o caso dos Estados Unidos, pois o presidente [Barack] Obama tem dificuldades de fazer reformas econômicas internas, por exemplo”, afirmou.