Brasil mantém primeira colocação em ranking dos maiores juros

O Brasil manteve a primeira colocação no ranking dos maiores juros reais do mundo. Após o anúncio do Banco Central (BC), nesta quarta-feira, de que a taxa Selic permanece em 10,75% ao ano, o País tem uma taxa real (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) de juros de 5,3% ao ano, segundo levantamento dos economistas Jason Vieira e Thiago Davino.

A taxa real brasileira é mais que o dobro da do segundo colocado do ranking, a África do Sul, que tem taxa real de 2,4% ao ano. Em terceiro lugar aparece a China (2%), seguida de Hungria e Polônia (ambas com 1,5%).

Em relação à taxa nominal, os 10,75% do Brasil ainda ficam atrás dos 17,98% da Venezuela. Contudo, por ter uma inflação alta, a Venezuela fica com juros reais abaixo do brasileiro.

Indústria diz que Copom contribui para valorização do real

As entidades representativas da indústria brasileira criticaram a manutenção da taxa Selic em 10,75% ao ano, anunciada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a decisão prejudica o setor e contribuiu para a valorização excessiva do real.

"O patamar atual em que se encontra a Selic tem contribuído para a constante sobrevalorização do real, permitindo um cenário no qual o crescimento da demanda doméstica seja, cada vez mais, abocanhado pela produção importada, que gera empregos lá fora eliminando postos de trabalho aqui no Brasil. Caso contrário, como explicar uma situação, em princípio ilógica, em que se verifica uma atividade industrial caminhando a passos vagarosos e um consumo brasileiro claramente aquecido?", afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em nota.

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o Brasil está na contramão dos demais países, que possuem taxas menores que a brasileira.

"Novamente, o Copom peca pelo conservadorismo ao não retomar o processo de queda nos juros em um ambiente mundial de taxas de juros reduzidas", disse o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto.

"Os juros brasileiros são substancialmente elevados em comparação com outros países e excessivos para manter a inflação dentro da meta", completou.

Copom mantém Selic em 10,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,75% ao ano, sem viés, em reunião encerrada nesta quarta-feira. Com isto, o Copom repete a decisão de sua última reunião.

Em curto comunicado, o Copom afirmou apenas que tomou a decisão "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

Economistas esperavam que o comitê mantivesse a Selic nesta reunião, após uma série de comentários do BC sobre a inflação considerados mais brandos.

"Era um não evento, já estava dado. O mercado já entendia que ia haver manutenção. Estamos numa transição de mandato e não há muito o que fazer. Tem mais uma reunião em dezembro e provavelmente vai ser a mesma coisa. Mesmo com alguns índices apontando alguma inflação, não é nada demais. Classifico essa inflação como uma combinação pior, (mas) nada que possa mudar já as perspectivas para o juro", disse o economista da BCG Liquidez Corretora Alfredo Barbutti.

Apesar de dados recentes de preços terem mostrado aceleração, principalmente por conta dos alimentos, o Copom está mais atento a horizontes mais longos e à inflação do ano que vem - já que, devido à defasagem sobre a economia real, a política monetária não tem mais impacto relevante neste ano.

O BC também já disse considerar que o cenário internacional tem efeito desinflacionário sobre o País. Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve (FED) adote mais estímulos à economia, que ainda não se recupera de forma consistente da crise global.

Na China, por outro lado, o banco central surpreendeu analistas nesta semana com o primeiro aumento de juros em quase três anos.

Com a decisão do Copom desta quarta-feira, tomada há pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, a Selic permanece no maior patamar desde março do ano passado. O comitê voltará a se reunir em 7 e 8 de dezembro.

Com informações da Reuters