Após capitalização, ações da Petrobras patinam com recomendações ruins

São Paulo - Desde o dia 24 de setembro, quando foi realizada a oferta de ações para a capitalização, até o começo desta semana, os papéis da Petrobras apresentaram valorização na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Contudo, no decorrer da semana, todo o ganho destes quase dez dias derreteu e PETR3 e PETR4 (as nomenclaturas dos papéis da estatal) desvalorizaram cerca de 5%. A queda foi pontual, segundo os analistas. Nos últimos dias, os bancos Itaú Securities e Barclays deram pareceres negativos em relação aos papéis da petrolífera, o que influiu na decisão de investidores.

 

De acordo com as instituições financeiras, há certa preocupação de como o governo vai usar a empresa nos próximos anos. A atenção maior para atividades que, em tese, seriam mais proveitosas para o País e menos para o lucro da empresa, como a preferência do investimento no refino em detrimento da exploração, que é muito mais rentável, deixa investidores receosos. Os fatos que poderiam ser considerados positivos, como a confirmação de potencial e descoberta de reservas, não vão influir na capacidade da empresa, segundo as instituições.

 

O resultado das eleições, segundo os analistas, já não influi diretamente no apetite dos possíveis acionistas, contudo, os mais cautelosos estão esperando o fim do pleito para se decidirem-se sobre a compra. Outro fato, esse já não pontual, também contribuiu para esta oscilação da empresa: a diluição dos papéis frente o avanço de outras empresas do setor.

 

A Petrobras passou de 8.774.076.740 ações no mercado para 13.044.496.930. Com isso, o preço do papel tende a ter uma baixa, por causa da oferta e demanda, e, ainda, a distribuição de dividendos fica menor, pois o número de ações para a distribuição cresceu. A diluição, apesar de não ser pontual, favoreceu um fato pontual, a maior rentabilidade das ações de outras empresas do setor, como a OGX, que está, segundo os analistas, recebendo dinheiro que antes era da Petrobras.

 

Além da OGX, de Eike Batista, a HRT, que lançará oferta primária e secundária de ações, chama a atenção dos investidores. Ou seja, acionistas da estatal estão vendendo suas ações da empresa para fazer caixa e apostar nestas duas concorrentes.

 

Tendência

O movimento de alta deve, nos próximos dias, voltar a ser uma tendência. Segundo analistas especializados em Petrobras, a empresa passou de uma fase de incertezas e, agora, aparece com mais credibilidade frente ao mercado. "A Petrobras agora tem, por exemplo, o capital necessário para explorar os poços do pré-sal, o que, até antes da capitalização, era uma incerteza", disse um especialista, que preferiu não ter seu nome divulgado.

 

Além dos fatos positivos para a empresa em específico, relatórios das corretoras apontam para o crescimento do mercado de petróleo nos próximos anos, apesar da tendência de países desenvolvidos em dar preferência à energia renovável e deixar de lado o combustível fóssil.

 

Segundo dados de uma corretora, o que a Europa e os Estados Unidos vão deixar de consumir em petróleo em um futuro próximo será suprido apenas por Brasil e Índia. A China terá um potencial de consumo de três vezes maior que os postos do pré-sal podem produzir por dia.

 

Apesar da tendência de alta para o futuro, as ações da empresa não devem voltar ao patamar apresentado no começo do ano, que era de R$ 36,15 para as preferenciais e R$ 40,90 para as ordinárias, muito abaixo da máxima do papel, que chegou a atingir R$ 50. "Eu não tenho preço alvo, mas meu feeling é que o papel não passe dos R$ 30 até o final deste ano", afirma Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros.