Bird revisa para baixo proporção de novos pobres na América Latina

O Banco Mundial revisou para baixo a proporção de novos pobres na América Latina em 2009, para 2,1 milhões, segundo relatório divulgado esta quarta-feira que corrige a previsão de 10 milhões que a entidade financeira temia, há um ano. "Há um ano tínhamos previsto que em 2009, dez milhões de pessoas se incorporariam (à pobreza moderada). Agora, sabemos que isto, de fato, não foi assim: só 2,1 milhões de pessoas se somaram às fileiras da pobreza", disse, durante entrevista coletiva, Augusto de la Torre, chefe de economia para a América Latina do Bird. Este novo número, que atesta a vigorosa recuperação da região após a recente crise econômica, está baseado em dados reais, não em modelos de previsão, enfatizou De la Torre. Segundo o mesmo documento, os latino-americanos pobres que agravaram sua situação caindo para o nível de pobreza extrema foram 2,5 milhões em 2009, um número também menor ao esperado. Há um ano, quando os embates da crise ainda pareciam poderosos demais para a região, o Banco Mundial calculou, igualmente, que pelo menos 3,5 milhões de pessoas perderiam seus empregos. "Com os dados, agora sabemos que o aumento (do desemprego) foi de 2 milhões", acrescentou. "Rompemos com o padrão histórico e se a redução da pobreza seguir a um ritmo parecido, pode-se antecipar que, durante este ano, sete milhões estão saindo da pobreza moderada", disse De la Torre. Segundo a entidade, entre 2002 e 2008 se conseguiu que 60 milhões de latino-americanos deixassem de ser pobres. A América Latina que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) crescerá 5,7% em 2010, conseguiu completar, na última década, uma "revolução silenciosa na política macrofinanceira", disse De La Torre. "A América Latina se integrou ao mundo de uma forma distinta; o que importa não é o grau de globalização financeira, mas como se está globalizado", explicou. A prudência e a solidez das medidas de regulamentação financeira, as redes de proteção social e a resistência ao choque externo fizeram com que a crise fosse amortecida na região, algo desconhecido quando se compara com experiências anteriores. A América Latina saiu mais rápido da crise do que os países ricos, explicou por sua vez o FMI em seu relatório semestral de previsões. A região deixou, ainda, de ser devedora diante do mundo e diversificou suas exportações. Em seguida, teve dois golpes de sorte complementares: a robustez dos preços das matérias-primas e a forma como se beneficiou, a níveis que já se anunciam perigosos, do apetite do investidor externo. "Há um deslocamento maciço de capitais do centro para os (países) emergentes", ressaltou o chefe de economia regional do Bird. "E isto não se deve apenas às baixas taxas nos Estados Unidos e na Europa, mas a que, agora, os investidores estão dispostos a assumir mais riscos", acrescentou. "Estamos nos saindo muito bem, mas não devemos cantar vitória. Preocupa-nos ver, também, que a política macroeconômica está sobrecarregada. Tudo está nos ombros do Banco Central" nos países latino-americanos, destacou. Apesar das boas perspectivas na área da pobreza, a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo. "Temos feito progressos na área da estabilidade, mas ainda temos muito a percorrer no caminho da igualdade, de gerar riqueza sustentável no tempo", concluiu De la Torre.