Apesar de dados, viés parece positivo

SÃO PAULO, 5 de outubro de 2010 - Em um dia de agenda econômica com indicadores de pouco peso, o viés do dia parece positivo, entretanto, o movimento pode variar ao longo da sessão, diante da ausência de notícias positivas.

Na Europa, hoje os dados não são animadores. O volume de vendas no varejo na zona do euro caiu 0,4% em agosto de 2010, quando comparado com o mês anterior. Em julho, o indicador subiu 0,1%. O Índice dos gerentes de compras (PMI, sigla em inglês) composto, da região desacelerou para 54,1pontos em setembro, ante alta de 56,2 pontos de agosto. Ainda nos 16 países, o PMI do setor de serviços caiu para 54,1 pontos, contra 55,9 pontos.

Na Alemanha, o PMI do setor de serviços marcou 54,9 pontos em setembro, na comparação com 57,2 pontos um mês antes. Já no Reino Unido, o dado avançou 52,8 pontos, ante alta registrada em agosto de 51,3 pontos.

E a agência de classificação de risco Moody's anunciou que estuda cortar o rating soberano da Irlanda.

Apesar dos dados, os principais índices acionários da Europa operam em alta nesta terça-feira. Há pouco, o índice FTSE-100, de Londres, avançava 0,06% aos 5.559 pontos. O CAC-40, de Paris, tinha acréscimo de 0,63%, aos 3.672 pontos e o DAX, de Frankfurt, ganhava 0,04% aos 6.136 pontos.

No mesmo sentido, os índices futuros apontam expansão em Wall Street. No país, os agentes aguardam a divulgação do Índice ISM do setor de serviços. A expectativa é de leve acréscimo, para algo entre 51,8 pontos e 52 pontos. No entanto, segundo Mitsuko Kaduoka, analista de investimentos da Indusval Corretora, o dado terá pouca força sobre o mercado.

Na Ásia, os índices acionários encerraram o pregão sem definir tendência, pevalecendo o movimento comprador, impulsionado pela manutenção da taxa básica de juros na Austrália pelo quinto mês consecutivo e, principalmente, pela decisão surpreendente do BOJ (Banco Central do Japão, sigla em inglês) de reduzir a já baixíssima taxa de juros no Japão.

O Banco do Japão anunciou a redução da taxa básica de juros, após a reunião do dia de hoje, quando a mesma se encontrava a 0,1%, e agora, na prática, está a 0%. A instituição informou também que vai manter a medida até que os preços do mercado e o iene comecem a apresentar maior estabilidade. Além disso, o BOJ anunciou um fundo de 5 trilhões de ienes para ampliar as compras de títulos.

No entanto, o dia não foi apenas de dados positivos, pois os preços das commodities caíram e provocaram queda nas ações da BHP Billiton, a maior empresa de exploração na mineração.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 subiu 1,47%, para 9.518,76 pontos. Em Seul, o índice Kospi caiu 0,02% para 1.878,94 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,09% para 22.639,14 pontos. Mais uma vez, em função de um feriado nacional, a bolsa de Xangai não operou no dia de hoje.

"O corte da já baixíssima taxa de juros do Japão animou os investidores, no entanto, isso me preocupa", avaliou Mitsuko, completando que os desenvolvidos, assim como Japão, Europa e Estados Unidos, cada vez mais, verificam que não tem muito o que fazer pela recuperação econômica destes países. "Essas economias não estão crescendo, estão em um círculo vicioso", reiterou.

Internamente, a analista considerou que a situação é melhor. "O Brasil, assim como a China e outros, está na onda do crescimento". Ela ponderou, que caso haja algo extremamente negativo no cenários externo, o Brasil não terá como fugir. "Se for necessário cobrir algum rombo na Europa, por exemplo, os investidores terão que retirar recursos de onde tem liquidez", afirmou. E continuou: "Esse não é um risco para o curto prazo, mas para o longo".

(Carina Urbanin - Agência IN)