Projeções dos DIs têm manhã de ajustes para baixo

SÃO PAULO, 4 de outubro de 2010 - O movimento na curva de juros futuros é de queda com os investidores ajustando as projeções. Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) negociado na BM&FBovespa com vencimento em janeiro de 2012 projetava taxa anual de 11,41%, ante 11,45% de sexta-feira. O DI de janeiro de 2013 apontava juro de 11,77%, contra 11,83% do fechamento anterior.

Os agentes financeiros avaliam o boletim Focus que apresentou discreto ajuste em relação a semana anterior. Em linha com a aceleração dos índices de inflação verificada nas últimas semanas, a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2010 passou de 5,05% para 5,07%, enquanto que, para 2011, registrou ajuste para baixo de 4,94% para 4,92%. Já a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 mostrou pequena elevação, ao passar de 7,53% para 7,55%, enquanto que, para 2011, permaneceu em 4,5%. Por fim, novamente, as expectativas para a meta da taxa Selic ao final de 2010 e 2011 ficaram inalteradas em 10,75% e 11,75%, respectivamente.

Na agenda do dia foi informado que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas(Fipe/USP) avançou para 0,53% em setembro deste ano, ante variação de 0,17% no mês anterior.

Segundo o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, nessa divulgação, o índice ainda sofreu influência positiva do grupo de despesas pessoais (0,19%). Esse índice reflete as principais influências positivas que afetaram os índices de preços ao consumidor nesse mês, como alimentação e vestuário em rápida aceleração, sendo que, para o quarto trimestre, os profissionais do Bradesco acreditam que esses fatores continuarão exercendo pressão altista.

A equipe econômica do Banco Fibra ressalta que apesar de nos encontrarmos em uma região de conforto nesse momento, vemos nuvens escuras no horizonte inflacionário, o que não nos permite vislumbrar trajetória clara de convergência da inflação ao centro da meta. Com isso, a equipe acredita que o mercado de trabalho seguirá forte e será necessária a retomada do ciclo de alta de juros no primeiro trimestre do ano com o intuito ancorar a inflação a meta.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)