Mantega sugere ações coordenadas para conter queda do dólar

SÃO PAULO, 4 de outubro de 2010 - O Brasil sugerirá que as maiores economias do mundo tomem ações coordenadas para conter a desvalorização do dólar e evitar uma guerra comercial, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele fará a proposta na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nesta semana.

Na avaliação do ministro, medidas de intervenção no câmbio, como a taxação de capital estrangeiro anunciada hoje, estão sendo adotadas em todo o mundo porque os países precisam aumentar as exportações. "Vou levantar essa discussão. É preferível que os países tomem medidas coordenadas em vez de agir isoladamente", afirmou.

Segundo o ministro, caso as intervenções no câmbio tornem-se generalizadas, o mundo poderá enfrentar uma guerra comercial, com países desvalorizando cada vez mais a moeda para impulsionar as exportações. "O mundo tende não só para a guerra cambial, mas comercial. Queremos um sistema de livre comércio e o melhor é encontrar uma solução conjunta", ressaltou.

Mantega também afirmou que aproveitará o próximo encontro do G20, que ocorrerá na Coreia do Sul no próximo mês, para sugerir que os governos dos Estados Unidos e dos países europeus voltem a gastar mais para estimular os mercados internos. Num cenário em que os juros dos países desenvolvidos estão baixos, ele afirma que os estímulos fiscais, quando os governos gastam para impulsionar a economia, são mais eficazes que os estímulos monetários, quando os bancos centrais aumentam a quantidade de dinheiro em circulação.

De acordo com o ministro, por estarem com a demanda fraca, os países desenvolvidos querem vender mais para países com a economia em expansão, como o Brasil, o que prejudica a balança comercial brasileira. Para ele, o mundo cresceria de forma mais equilibrada se as nações avançadas estimulassem a economia interna.

"Mesmo os países europeus precisam estimular o mercado interno porque, se as economias locais voltarem a crescer, eles precisarão exportar menos. Vai haver menos sobra de mercadorias e o mundo crescerá de forma mais harmônica", disse Mantega. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)