Produção industrial segue na pauta dos negócios e DIs se ajustam

SÃO PAULO, 1 de outubro de 2010 - O mercado de juros futuros opera nesta sexta-feira sinalizando queda nos vencimentos de curto e médio prazo, com os investidores digerindo novos dados sobre a produção industrial no Brasil. Já no longo prazo as projeções de juros sobem, pois, são mais sensíveis ao cenário externo.

Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 apontava taxa anual de 11,46%, ante 11,51% da véspera. O DI de janeiro de 2017 projetava juro de 11,70%, contra 11,64% do último ajuste.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a produção industrial brasileira registrou decréscimo de 0,1% em agosto deste ano, na comparação com o mês anterior, quando o índice avançou 0,6%. Vale lembrar que o resultado veio abaixo do esperado do mercado, que esperava alta de 0,4% na margem.

Ainda na pauta do dia, foi informado que Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 30 de setembro de 2010 apresentou variação de 0,46%, 0,06 ponto percentual acima da taxa registrada na última divulgação.

Já a venda de veículos caiu 1,84% em setembro deste ano na comparação com o mês de agosto, de acordo com o balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Analistas comentam que a inflação e atividade estão na pauta dos negócios em renda fixa. O Relatório de Inflação do Terceiro Trimestre do Banco Central (BC), divulgado ontem, não trouxe grandes novidades em relação à avaliação da instituição acerca da atividade econômica brasileira e inflação.

O BC continuou avaliando que a atividade doméstica está se expandido a taxas avaliadas como sustentáveis no longo prazo, ao mesmo tempo em que a elevação dos juros na primeira metade do ano já tenha se refletido na atividade e ainda deverá surtir efeitos sobre a inflação. Paralelamente, o cenário externo continua deflacionário para o Brasil, por conta das perspectivas de redução do ritmo da atividade global.

De acordo com o documento, a autoridade monetária reduziu a previsão para a inflação de 2010 e 2011. A projeção para este ano caiu de 5,4% para 5%, enquanto a de 2011 recuou de 5% para 4,6%. Já a expectativa de crescimento da economia neste ano foi mantida em 7,3%.

A equipe econômica do Bradesco avalia que com esse ambiente global de juros reais muito baixos e de inflação baixa apresentado pelo BC, a taxa de Selic ficará estável em 10,75% neste ano, bem como em 2011.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)