Ibovespa deslancha e ultrapassa os 70 mil pontos

SÃO PAULO, 1 de outubro de 2010 - O Índice Bovespa começou o mês de outubro em campo positivo, conseguindo até ultrapassar a barreira psicológica de 70 mil pontos. Isso porque com indicadores positivos da China e a melhora das praças acionárias norte-americanas o apetite ao risco se intensificou. No término dos negócios, o Ibovespa subiu 1,15%, aos 70.229 pontos. O giro financeiro da bolsa fechou em R$ 7,559 bilhões. Na semana, o índice cresceu 2,98%.

No início do pregão o viés já era de alta em função de um indicador econômico chinês que superou as previsões dos analistas. O Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial avançou para 53,8 pontos em setembro de 2010, contra leitura de 51,7 pontos no mês anterior. "Os riscos de aceleração da atividade na China ganharam força com o resultado do PMI de setembro", destacou o Bradesco em relatório.

Diante da informação, as commodities avançaram no mercado internacional, favorecendo diretamente o Ibovespa, já que as empresas de maior peso no índice acionário têm atividades ligadas aos insumos. Com isso, as ações da Vale (PNA) se destacaram no pregão, com avanço de 0,97%. E os papéis do setor siderúrgico foram no embalo, com os da Usiminas (ON) encerrando em alta de 3,91% e da Gerdau (PN) com ganhos de 0,35%.

Além destas, as ações da Petrobras (PN) também colaboraram com os ganhos, já que subiram 0,76% no fim do dia. Os preços dos papéis operaram em sintonia com as cotações do petróleo no mercado internacional.

Segundo Hamilton Moreira Alves, analista financeiro do Banco do Brasil Banco de Investimentos (BB-BI), a continuidade da entrada de fluxo estrangeiro na BM&FBovespa foi o que garantiu o dia de ganhos.

Nos Estados Unidos, após a instabilidade observada durante a sessão, as bolsas de valores firmaram-se em terreno positivo, favorecendo ainda mais o Ibovespa. Por lá, o mercado digeriu os gastos dos consumidores cresceram 0,4% em agosto, assim como a renda subiu 0,5%. Já o índice da confiança do consumidor norte-americano, medido pela Universidade de Michigan, atingiu 68,2 pontos em setembro. E os gastos com construção no país cresceram 0,4% em agosto.

No entanto, o indicador que mede a atividade industrial dos Estados Unidos recuou para 54,4 pontos em setembro, contra 56,3 pontos em agosto. O dado, que veio levemente abaixo do esperado, foi o causador da instabilidade.

"Nossa visão deste trimestre é haverá um descolamento positivo do Ibovespa com o Dow Jones, porque a economia norte-americana vai remar um pouco ainda e a do Brasil vai deslanchar", destacou Alves.

(Déborah Costa - Agência IN)