No último pregão do mês dólar fecha abaixo de R$ 1,70

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2010 - No último pregão do mês a moeda norte-americana rompeu a barreira de R$ 1,70, encerrando os negócios com desvalorização de 0,65%, cotada a R$ 1,694 para venda.

Mantendo a rotina o Banco Central (BC) prosseguiu com os dois leilões de compra. No primeiro, a autoridade monetária comprou dólares a R$ 1,6969 e no segundo comprou a R$ 1,692.

A moeda norte-americana acumulou desvalorização de 3,53% sobre o real em setembro. No ano, porém, a queda chega a 2,81%.

Vale ressaltar que hoje as tesourarias se movimentaram em torno da formação da Ptax (média oficial do dólar), buscando defender suas posições para maximizar os ganhos, o que contribuiu para certa volatilidade nos negócios. Isto porque, essa taxa irá liquidar os contratos de dólar que expiram na virada do mês.

Dados BC revelam que o saldo da entrada e saída de dólares do País, fluxo cambial, está positivo em US$ 11,871 bilhões neste mês, até o último dia 24.

Sidnei Moura Nehme, diretor executivo da NGO, comenta que esse fluxo cambial indica que os bancos, a despeito do forte ingresso de divisas ocorrido no mercado à vista oriundo das subscrições das ações de Petrobras e, também, de captações externas de empresas brasileiras, elevaram suas posições "vendidas" de US$ 8,4 bilhões na semana finda em 17 para US$ 11,3 bilhões. Contudo, é importante considerar este dado com ressalvas, visto que a metodologia do BC considera o registro pela ocorrência das liquidações, ou seja, D+2, e desta forma não expressa a movimentação ocorrida em 23 e 24 efetivamente, quando deve ter ocorrido ingressos não consignados na informação divulgada, e, os bancos podem ter retido parcela para reduzir suas exposições em posições "vendidas" no mercado à vista.

"É provável que ainda não o tenham feito como seria esperado, porém elevaram suas posições "compradas" no mercado futuro de dólar que, data base ontem, acumulavam US$ 8,4 bilhões, que praticamente se constitui "hedge" da exposição no mercado à vista. Por outro lado, reduziram bem as posições "compradas" em cupom cambial - DDI, antecipando-se, provavelmente, a queda do juro no mercado futuro", avalia Nehme.

O executivo ressalta ainda que os "hedge funds", por sua vez, mantém posições "vendidas" no mercado futuro, e, certamente, estão convivendo com a expectativa de que o BC possa vir a utilizar os swaps cambiais reversos. Mas há também um posicionamento "vendido" no cupom cambial-DDI, ou seja, não está apostando tudo numa única linha.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)