Não há espaço para choque na inflação, diz economista

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2010 - O relatório trimestral divulgado hoje pelo Banco Central mostrou que a inflação está sob controle, por outro lado, evidenciou que a perda deste controle é iminente, uma vez que não há margem para a absorção de possíveis variações do mercado, segundo Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin. Para ele, o descompasso entre a demanda e a oferta continua alto e com o aumento elevado no salário e no crédito, a inflação irá crescer.

"A inflação está dentro da meta, porém, qualquer choque, seja com a disparada no preço dos alimentos, ou das commodities, por exemplo, já seria suficiente para elevar a taxa de inflação em relação ao centro da meta", reiterou.

Ele ponderou que apesar da alta quase certa, o Banco Central, por meio da política monetária que vem seguindo, estará pronto para impedir o movimento. "Existem riscos que deixam o BC em alertar, o que o torna preparado para controlar qualquer situação", disse Campos Neto.

Para Márcio Peppe, sócio-diretor de Auditoria e responsável pela área de Outsourcing da BDO no Brasil, "a economia aquecida, alinhada ao crédito farto e relativamente mais barato, tem alimentado as previsões um pouco mais pessimistas em relação à trajetória da inflação. É interessante perceber que uma das pontas utilizadas para o controle da inflação, que é a variação cambial, está praticamente estrangulada pela ação do próprio governo", avaliou.

Em relação à economia global, o economista Silvio Campos Neto completa que "o viés é desinflacionário, o que pode ajudar na inflação interna, porém, pode aumentar o risco de elevação no preços das commodities e prejudicar o mercado brasileiro" .

Já no campo eleitoral, Márcio Peppe, diz que "tendo em vista o atual momento e as expectativas naturais relativas à transição para o futuro governo eleito, é necessário muita atenção aos movimentos do mercado e às atitudes a serem tomadas pela autoridade monetária no intuito de manter o controle da inflação em dia".

(Niviane Magalhães - Agência IN