Investidor avalia relatório de inflação e DIs se ajustam

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2010 - O mercado de juros futuros digeriu nesta quinta-feira o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo Banco Central (BC) no qual mostrou uma redução das expectativas inflacionárias para este e o próximo ano.

Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 registrou taxa anual de 10,66%, ante 10,67% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2013 projetou juro de 11,87%, frente aos 11,82% da véspera.

De acordo com o documento, a autoridade monetária reduziu a previsão para a inflação de 2010 e 2011. A projeção para este ano caiu de 5,4% para 5%, enquanto a de 2011 recuou de 5% para 4,6%. Já a expectativa de crescimento da economia neste ano foi mantida em 7,3%.

Os consultores da LCA comentam que leitura do relatório sugere que o BC está dando peso maior, no seu processo de tomada de decisão, às projeções de inflação dos seus próprios modelos (em detrimento das expectativas de inflação do mercado apuradas no boletim Focus).

O boletim Focus divulgado nesta semana sinalizou avanço nas expectativas de inflação mensal e anual. Dessa forma, a variação projetada para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro aumentou de 0,39% para 0,41%, enquanto o desempenho esperado para 2010 é de 5,05%.

Márcio Peppe sócio-diretor de auditoria e responsável pela área de outsourcing da BDO no Brasil comenta em seu artigo que a economia brasileira vive um momento que exige atenção. "Tendo em vista o atual momento eleitoral e as expectativas naturais relativas à transição para o futuro governo eleito, é necessário muita atenção aos movimentos do mercado e às atitudes a serem tomadas pela autoridade monetária no intuito de manter o controle da inflação em dia", avalia. "A tradicional cautela do BC é, sem dúvida, muito bem-vinda neste momento", completa.

No cenário externo, os agentes repercutiram positivamente o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano que registrou acréscimo de 1,7% no segundo trimestre deste ano. O dado veio melhor do que o esperado pelo mercado e acima da estimativa anterior, ambos situados em 1,6%.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)