Estiagem desacelera produção de leite entre julho e agosto

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2010 - O ICAP-Leite/Cepea (Índice de Captação de Leite do Cepea), referente aos estados do RS, PR, SP, MG, GO e BA, aumentou 2,4% entre julho e agosto - no mês anterior, a elevação havia sido de 5,5%. Segundo a pesquisa divulgada hoje, a estiagem na maior parte das regiões produtoras de leite do Brasil desacelerou o crescimento da produção em agosto.

Os responsáveis pelo novo avanço na captação continuaram sendo os estados do Sul do País, que estão em safra de inverno. O volume produzido no Paraná e no Rio Grande do Sul registraram aumentos de 4,9% e de 4,8%, respectivamente. O ICAP-L de agosto foi 8,3% maior que o do mesmo período do ano passado. No acumulado de 2010, o Índice registra aumento de 5,6% em comparação ao mesmo período de 2009.

Em Minas Gerais, um dos estados mais afetados pelo clima seco desde meados de julho e que tem a maior representatividade na produção leiteira, o ICAP-Leite recuou 0,4% em agosto. Em São Paulo, houve diminuição de 2,04% e, em Goiás, mesmo sob efeito da estiagem, o Índice teve ligeiro aumento de 0,5% em relação a julho.

Além da falta de chuva, outro fator limitante à produção de leite é o encarecimento da ração concentrada - um dos principais itens na cesta de custo de produção -, devido principalmente à valorização do milho e do farelo de soja.

Os preços pagos pelo leite em setembro (referente à produção entregue em agosto) se mantiveram estáveis em relação ao mês anterior, com média bruta nacional de R$ 0,6923/litro - consideram-se os estados de RS, PR, SC, SP, MG, GO e BA. Essa média de setembro é 6,8% menor que a do mesmo período do ano passado. Considerando os preços deflacionados, a média de janeiro a setembro (R$ 0,7077/litro) é a mais baixa para o período desde 2006 (R$ 0,5741/litro).

A expectativa da maior parte dos agentes pesquisados pelo Cepea é de estabilidade ou alta para o próximo mês (referente à produção de setembro). Para o pagamento de outubro, 58,1% dos representantes de laticínios (responsáveis por 60,8% do volume amostrado) acreditam em estabilidade de preços, enquanto 29% (que representam 24,3% da amostragem) apostam em alta. Apenas 12,9% dos agentes de mercado (responsáveis por 14,8% do volume de leite da pesquisa) acreditam em queda de preços.

(Redação - Agência IN)