BC vê risco de elevação da inflação no curto prazo

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2010 - A queda nos preços dos alimentos registrada nos meses recentes demonstra a existência de riscos de elevação da inflação no curto prazo, gerando choques de oferta, informou hoje o Banco Central (BC) em seu relatório trimestral de inflação, afirmando ainda que deverá atuar no sentido de impedir a propagação deste efeito inflacionário.

Em relação à projeção da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom), que pressupõe manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte de previsão em R$1,75, e meta para a taxa Selic em 10,75% ao ano - valor fixado na reunião do Copom de 31 de agosto e 1º de setembro - , projeta inflação de 5,0% em 2010, percentual 0,4 ponto percentual menor do que o valor projetado no Relatório de junho de 2010. Nesse cenário, a projeção para a inflação acumulada em 12 meses se posiciona acima do valor central da meta até o final de 2010 e oscila em torno desse valor nos trimestres posteriores, encerrando o terceiro trimestre de 2012 em 4,4%.

No setor de commodities, a instituição prevê riscos de elevações significativas nos preços. No entanto, o Copom avalia que o cenário externo preponderante incorpora a percepção de menor ritmo de atividade econômica global, não contempla deterioração excessiva das condições financeiras, de modo que seus efeitos sobre a dinâmica dos preços domésticos tendem a ter viés desinflacionário.

No que se refere à retomada na economia, o BC acrescenta que os países emergentes seguem registrando ritmo de crescimento mais intenso do que as maduras. A retomada da economia norte-americana vem ocorrendo de modo menos intenso do que o que se vislumbrava e persistem preocupações quanto à desaceleração da economia chinesa, "fatos estes que, entre outros, que contribuem para aumentos da volatilidade nos mercados financeiros e do sentimento de aversão ao risco", segundo a autoridade monetária.

(NM - Agência IN)