BC teme que aquecimento do mercado de trabalho tenha reflexo nos preços

O mercado de trabalho passou a ser uma preocupação adicional para o Banco Central (BC). O Relatório de Inflação divulgado hoje (29) destaca que, do lado doméstico, um fator de risco importante advém, entre outros fatores, do mercado de trabalho, o “que pode se agravar pela presença, na economia, de mecanismos que favorecem a persistência da inflação”.

Segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, na medida em que se dá um determinado aumento real de salário e isso não é acompanhado de aumento de produtividade, ao longo do tempo, passam a existir dois caminhos para ajuste: ou redução da margem de lucro ou aumento de preços.

Para o diretor, a preocupação é que o aquecimento no mercado de trabalho passe a obrigar aumentos nominais de salário em níveis que não sejam compatíveis com o crescimento da produtividade e esses sejam repassados aos preços.

Hoje, o BC divulgou o Relatório de Inflação do terceiro trimestre, que mostra uma estimativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5% este ano. O índice está 0,4 ponto percentual abaixo ao do relatório anterior, divulgado em junho. Para 2011, a expectativa dos técnicos do BC é de uma inflação de 4,6% pelo mesmo índice.

O BC também manteve a perspectiva de crescimento da economia em 2010 . A projeção estimada de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 7,3%, mesma estimativa registrada no relatório do segundo trimestre.