Congresso dos EUA aprova sanções à China

SÃO PAULO, 29 de setembro de 2010 - Os congressistas norte-americanos aprovaram nesta quarta-feira por ampla maioria um projeto de lei que prevê sanções à China pela desvalorização de sua moeda, apontada como causa da redução de postos de trabalho nos Estados Unidos, semanas antes das eleições legislativas de metade de mandato.

A Câmara dos Representantes aprovou o projeto por 348-79, em uma de suas maiores confrontações com a China em anos, e depois que o presidente americano, Barack Obama, criticou nesta quarta-feira a desvalorização do iuane durante um encontro com eleitores em Iowa.

O texto permitirá a imposição de medidas alfandegárias que penalizem os produtos importados de países onde a moeda esteja desvalorizada. Foi aprovado na sexta-feira pela comissão a cargo das questões financeiras e fiscais. O projeto de lei ainda deve ser aprovado pelo Senado.

"Fazemos isso porque poderiam ser criados 1 milhão de postos de trabalho americanos se o governo chinês" se adequasse aos preços do mercado, disse a líder democrata da Câmara, Nancy Pelosi.

"Entendemos que a relação entre Estados Unidos e China seja importante em todos os sentidos - cultural, política, diplomática, economica, comercialmente -, mas precisamos que eles sigam as regras", disse Pelosi antes da votação.

O presidente Obama reiterou novamente nesta quarta-feira que o iuane está desvalorizado.

"Se pressiono a China sobre sua moeda, é porque essa moeda está desvalorizada", declarou Obama.

O presidente disse que a taxa de câmbio atual entre o iuane e o dólar é tal que os produtos chineses custam 10% menos nos Estados Unidos que os produtos americanos vendidos na China, antes de fazer uma ressalva.

"Não diria 10% porque não quero que os mercados financeiros pensem que possuo um leque de estimativas particular", disse.

"Mas creio que, em geral, as pessoas estimam que (a China) manipule sua moeda de forma que nossos produtos sejam mais caros e os deles, mais baratos", completou Obama, considerando que o fato contribui para o déficit comercial americano.

O banco central chinês prometeu nesta quarta-feira uma "maior flexibilidade" do iuane, poucas horas antes da votação na Câmara dos Representantes.

(Redação com AFP - Agência IN)