Ipea: capacidade de gerar empregos em 2009 foi negativa, mas houve melhoria na qualidade dos postos

 

Rio de Janeiro - O aumento do número de pessoas procurando emprego e a redução na capacidade de gerar postos de trabalho, principalmente por causa dos impactos da crise financeira de 2008, se refletiram na taxa de desemprego do ano passado.

Essa é umas das avaliações do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) que estudou dados do mercado de trabalho compilados em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Há indícios de reflexos negativos na capacidade de absorção de indivíduos em 2009. Em uma outra análise, não houve uma piora na tendência de melhora da qualidade dos postos de trabalho", disse o economista do Ipea, Carlos Henrique Corseuil.

O comunicado do Ipea, divulgado hoje (23), aponta que a taxa de desemprego cresceu 1,3 ponto percentual entre 2008 e 2009 e fechou o ano em 9,1%. O aumento foi considerado expressivo, pois a taxa vinha caindo desde 2005 e atingiu o menor valor nos 12 meses anteriores (7,8%).

Apesar da dificuldade de absorção do mercado de trabalho, o Ipea destaca que a taxa de 2009 é uma das menores da década, em contraste com o maior valor de 10,5%, em 2003. Alem disso, ressalta que a base de comparação, a taxa de 2008, era "excepcional", difícil de ser batida.

O Ipea também destaca que em 2009 o rendimento do brasileiro continuou crescendo, refletindo "a participação de pessoas escolarizadas", e foi o maior desde 2001, R$ 1.068,39. No período, o número de pessoas com mais de 11 anos de estudo que entraram no mercado de trabalho foi maior.