Após subir, taxas dos DIs fecham em queda na BM&F

SÃO PAULO, 23 de setembro de 2010 - O mercado de juros futuros fechou sinalizando queda nesta quinta-feira. Pela manhã as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) chegaram a registrar elevação com o mercado reagindo aos novos dados de trabalho no Brasil (taxa de desemprego e renda) relativos a agosto. No entanto, no decorrer o dia a alta foi perdendo força diante da aversão a risco nos mercados globais.

Na BM&FBovespa, o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2011 projetou juro de 10,67%, ante 10,68% da véspera. O DI de janeiro de 2012 apontou taxa anual de 11,55%, contra 11,57% do último ajuste.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou estável em 6,7% no mês de agosto, em relação a julho, e caiu 1,4 ponto percentual em relação a agosto de 2009. Esta é a menor taxa para um mês de agosto desde o início da série histórica, em março de 2002. As expectativas do mercado estavam entre 6,7% e 7,3%.

Vale ressaltar que o rendimento do trabalhador registrou alta de 1,4% em agosto para R$ 1.472,10, e 5,5% na comparação anual.

Já nos Estados Unidos o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiu de forma inesperada na última semana. O acréscimo na quantidade de pedidos foi de 12 mil, totalizando 465 mil com ajuste sazonal.

Segundo um operador de renda fixa diante de um quadro externo cheio de incertezas os investidores temem que a recuperação global esteja fraquejando, o que significa juros mais baixos no mundo. "Porém, este cenário contribui para a taxa Selic se manter nos atuais 10,75% ao ano por mais tempo", disse.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu um total de R$4,833 bilhões de títulos públicos, dentre eles, Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional (NTN-F). Além, de comprar R$ 34,1 milhões de NTN-F.

A emissão de títulos prefixados, que têm os juros definidos com antecedência e o reconhecimento de juros fez a dívida pública subir em agosto. Segundo números divulgados pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Federal (DPF) aumentou R$ 17 bilhões no mês passado, passando de R$ 1,601 trilhão para R$ 1,618 trilhão. Em termos percentuais, a alta foi de 1,04%.

Por meio da dívida pública, o governo pega empréstimos dos investidores para honrar os compromissos. Em troca, o Tesouro compromete-se a devolver o dinheiro com correção, que pode ser prefixada, ou seja, definida com antecedência, ou seguir a Selic, índices de preços ou o câmbio.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)