Brasil caminha para desaceleração em 2011, diz ACSP

SÃO PAULO, 21 de setembro de 2010 - A economia brasileira caminha para desaceleração no início de 2011 e uma menor taxa de crescimento da economia no acumulado do próximo ano, diz o Relatório sobre Indicadores Antecedentes de setembro de 2010, elaborado pelo SILCON Estudos Econômicos para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo o professor Cláudio Contador, autor da pesquisa, "a conjuntura econômica do segundo trimestre de 2010 mais uma vez superou as previsões dos analistas". Após o forte crescimento do PIB no primeiro trimestre, era esperada uma acomodação da atividade. Porém, a expansão atingiu 8,8 % sobre o segundo trimestre de 2009; e no acumulado em quatro trimestres, 5,1%. Com esses dados, no primeiro semestre de 2010, o PIB cresceu 8,9 % - considerado o melhor resultado da história, registrada nos levantamentos das Contas Nacionais pelo IBGE.

Mesmo se o indicador ficar estagnado no segundo semestre, está garantido um piso de crescimento de 7% em 2010. Se o PIB crescer de 0,5 a 1% nos dois próximos trimestres em relação ao mesmo período de 2009, o crescimento de 2010 atinge 7,8%.

Para 2011, os indicadores antecedentes preparados pela SILCON Estudos Econômicos apontam um ambiente ainda tranquilo, embora o crescimento deva ser menor - entre 4,5 e 5% - com início do desaquecimento já no primeiro trimestre de 2011.

O consumo das famílias foi a principal mola do crescimento do PIB no primeiro semestre de 2010. No acumulado em quatro trimestres, esse fator teve uma expansão de 6,9%, seguindo a tradição desde 2005, como o elemento de sustentação da atividade econômica e que evitou que a queda do PIB fosse maior, durante a crise financeira internacional.

Pelo resto de 2010, a mesma pressão da demanda interna se repete, e o consumo interno será um dos fatores de sustentação da economia, insuflado mais uma vez pela expansão dos gastos públicos e as facilidades do crédito. Pelas previsões do indicador antecedente composto, a fase de expansão do crescimento do consumo das famílias perdura por 2010, mas uma nova fase de desaquecimento está prevista para 2011, acompanhando a cronologia do PIB.

Um outro componente básico do PIB, o ritmo da formação bruta de capital fixo, recuperou as perdas de 2009, e, no primeiro semestre de 2010, cresceu mais de 26% sobre o mesmo período de 2009. No acumulado em quatro trimestres, a formação de capital cresceu 8,5%, e, pela sinalização do indicador antecedente, a recuperação do crescimento da formação bruta de capital se mantém por 2010, podendo alcançar quase 20%, em parte refletindo um efeito estatístico da contração de 2009, mas, sem dúvida, retratando o aumento da capacidade instalada.

O produto real da Indústria caiu 5,5% em 2009, em contraste com a expansão de 4,4% em 2008, apresentando uma expansão de 5,6% durante o segundo trimestre de 2010, no acumulado de quatro trimestres. Em relação ao segundo trimestre de 2009, o crescimento da Indústria foi de 13,8 %. O indicador antecedente sinaliza que a fase de recuperação se mantém em 2010, e o início de 2011 deve apresentar uma fase de desaquecimento, segundo as previsões preliminares.

(Redação - Agência IN)