Líderes têm vontade de cumprir agenda do milênio

SÃO PAULO, 20 de setembro de 2010 - Líderes mundiais iniciaram nesta segunda-feira em Nova York uma reunião de cúpula destinada a evitar que a crise impeça o cumprimento em 2015 das metas do milênio contra a pobreza, a fome e as doenças.

"O relógio está trabalhando e resta muito a ser feito", advertiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao abrir o evento de três dias em Nova York. "Temos que enviar uma mensagem de esperança, vamos cumprir o prometido", acrescentou.

A cinco anos do prazo limite estipulado, o planeta está longe de ter cumprido as metas estabelecidas há uma década. A cúpula adotará uma declaração debatida desde a semana passada, que constata esse atraso.

Além da redução da miséria em todo o mundo, as "Metas do Milênio" fixadas em 2000 implicam garantir a educação primária universal, obter a igualdade de sexos, reduzir a mortalidade infantil e materna, além de combater a Aids, a malária e outras doenças.

Ban admitiu que a crise financeira atrasou o cumprimento dessas metas, mas ressaltou que a crise não era desculpa para não cumpri-las e, menos ainda, para retroceder. "A recuperação da crise financeira não deverá significar um retorno a um passado equivocado e injusto", disse o secretário-geral.

O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss Kahn, advertiu que, devido à crise, não só financeira como "alimentar e energética", o mundo "perdeu anos de avanço".

Para evitar que os retrocessos continuem, o presidente francês Nicolas Sarkozy propôs estabelecer um imposto sobre todas as transações financeiras para financiar as metas de desenvolvimento global.

"Por que não pedir às finanças que ajudem a estabilizar o mundo?", disse Sarkozy ."Os financiamentos inovadores, o imposto às transações financeiras, podemos decidir aqui. Por que esperar? As finanças se globalizaram", comentou o presidente francês. Ele indicou que defenderá essa ideia durante seu ano de exercício da Presidência do G20 e do G8.

Apoiados por países como Brasil, Chile e Noruega, os "financiamentos inovadores" apoiados pela França encontram a resistência de outros, incluindo os Estados Unidos.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs aos demais países em desenvolvimento a criação de um banco mundial do Sul para romper a dependência financeira do Norte.

"Sem o FMI estamos melhor do que antes", disse Morales.

A entidade dedicaria "uma porcentagem de nossos recursos naturais para que nos financiássemos". "Não queremos políticas de ajuste social que nos submetam", acrescentou.

Segundo o mandatário boliviano, "a desigualdade da distribuição da riqueza é o principal obstáculo para o cumprimento das metas do milênio", que segundo ele, são "ambiciosos, mas realizáveis".

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, admitiu que em 2010, 65 milhões de pessoas caíram em estado de pobreza no mundo, e que 1,5 milhão de crianças correm risco de morrer antes completarem cinco anos em 2015.

(Redação com AFP - Agência IN)