Brasil pode se tornar alvo de hackers europeus, diz FBI

SÃO PAULO, 20 de setembro de 2010 - O crescimento da economia brasileira pode resultar em uma mudança no perfil dos crimes cometidos pela internet contra as instituições financeiras do país. A exemplo do que já ocorre com bancos norte-americanos, o Brasil poderá passar a ser alvo de cibercriminosos do Leste Europeu. O alerta foi dado pelo chefe interino da Unidade de Crimes Cibernéticos do FBI (Polícia Federal dos Estados Unidos), James Harris.

"Como a economia brasileira está crescendo mais do que a do resto do mundo, certamente atrairá os mesmos tipos de criminosos que atuam contra as instituições financeiras dos Estados Unidos. A maioria desses criminosos vive no Leste Europeu, para onde o dinheiro roubado, pela internet, dos bancos norte-americanos é levado", disse em entrevista o agente do FBI.

Ele explica que a maioria dos crimes investigados pela polícia brasileira envolve práticas cometidas no país. "Esta é uma das diferenças entre as investigações do FBI e da Polícia Federal [PF] brasileira. Enquanto aqui no Brasil os criminosos investigados encontram-se em território nacional, os criminosos que são investigados pelo FBI costumam cometer os crimes a partir de outros países".

Para Harris, a PF tem totais condições de combater esses criminosos. "A capacitação dos policiais federais brasileiros é muito similar à que é dada aos agentes do FBI. Venho ao Brasil há mais de 15 anos e posso afirmar: o treinamento, os cursos, as técnicas e as tecnologias são muito parecidas com as que utilizamos nos EUA", afirmou.

O fato de haver hackers brasileiros entre os melhores do mundo também acaba tornando a PF mais preparada para lidar com os criminosos do Leste Europeu. "Fiquei muito impressionado com o que vi sendo feito por hackers brasileiros", acrescentou.

Ele elogia também a forma como a PF compartilha suas informações, tanto internamente - entre diferentes áreas periciais e investigativas - quanto externamente, com outras instituições.

"Investigações que envolvem tecnologias precisam ser feitas de forma cada vez mais rápida e objetiva. Como muitas vezes envolvem práticas criminosas transnacionais, requerem uma comunicação dinâmica e desburocratizada com órgãos de outros países, e isso de fato tem ocorrido entre a PF e o FBI", disse o perito. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)