Empresas familiares brasileiras não prepara herdeiros

SÃO PAULO, 17 de setembro de 2010 - Trabalhar em família nem sempre é fácil. A maior dificuldade está em separar o papel de familiares, gestores e sócios. Buscando entender melhor o comportamento dos empresários brasileiros, foi realizado o estudo Tornando-se uma Família Empresária. Conduzida pela höft, consultoria que há 35 orienta famílias empresárias no processo de sucessão e continuidade, a pesquisa teve como objetivo mapear as práticas adotadas pelas empresas familiares brasileiras na condução dos negócios e na preservação do patrimônio.

Sócios e membros de cerca de 170 famílias empresárias foram entrevistados, sendo a maioria (74%) da região Sudeste e integrantes da segunda geração das companhias (58%). O coordenador da pesquisa, Wagner Teixeira, diretor-geral da höft, explica que as famílias empresárias se caracterizam por possuírem três sistemas em constante interação: a família, o patrimônio e a empresa. "A evolução em cada um dos sistemas e o planejamento da sucessão de maneira integrada levará à continuidade da empresa", afirma o consultor. O questionário buscou avaliar as práticas implantadas em cada um dos três sistemas.

Um dos passos mais importantes para garantir a continuidade é registrar a história da família empresária, preservando o legado dos fundadores, o que é determinante para a coesão e a identidade familiar. A pesquisa mostrou que 79% das famílias empresárias ainda não possuem um registro formal de sua origem e história.

Outro dado se refere ao patrimônio: 91% ainda não possuem órgãos representativos dos familiares, que deliberem sobre os rumos dos negócios. A ausência de um canal estruturado e formal de comunicação pode acabar interferindo na gestão, como acontece em 88% das empresas. Além disso, 79% não formalizaram nenhum acordo ou protocolo societário que regule as relações entre família e empresa. Essa carência de critérios ou regras tem sido um grande obstáculo para a continuidade, pois a indefinição pode ser foco de divergências entre sócios e familiares.

Em relação à empresa, é preciso deixar claro que a transparência nas informações reforça a confiança, o comprometimento e a legitimidade dos gestores. É preciso atentar também para o fato de que o modelo de sociedade utilizado na primeira geração nem sempre se transfere para a segunda e deve ser discutido até que se chegue ao formato ideal. No universo representado na amostra, apenas 7% possui um planejamento de sucessão e continuidade com a participação de todos os envolvidos. E é onde ocorre um dos principais desafios para a maioria das empresas familiares, que é mudar de um processo decisório individual - em que o dono toma a maioria das decisões sozinho - para um novo modelo que considere os interesses coletivos.

A pesquisa mostrou também que as empresas familiares têm sido fonte de inúmeros ensinamentos, que podem ser colocados em prática por todo tipo de organização. Valorizar o indivíduo, envolver as pessoas na cultura da empresa e prezar pela transparência são características cada vez mais valorizadas nos ambientes corporativos.

(Redação - Agência IN)