Controle da inflação estimulou aumento do crédito, diz CNI

SÃO PAULO, 17 de setembro de 2010 - O crédito à indústria manteve-se percentualmente estagnado entre julho de 1991 e julho último, quando a participação do setor na tomada de empréstimo bancário oscilou de 21,2% para 21,3% nesses 19 anos. Período em que a expansão do crédito para a pessoa física cresceu de 2,9% para 32,5%, divulgou hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento da CNI, com base em dados do Banco Central, mostra que o melhor momento da indústria foi em 2002, quando chegou a tomar mais de 30% dos recursos disponibilizados pela rede bancária. A partir daí, porém, começou a perder terreno para outros segmentos da atividade econômica, embora o volume de empréstimos tenha aumentado em valores absolutos.

O boletim Indústria Brasileira em Foco, distribuída pela CNI, destaca que o que fez a grande diferença foi o apetite da pessoa física por empréstimos, e o economista Danilo Garcia lembra que os bancos também preferiram priorizar a oferta de financiamentos para a pessoa física, de quem cobra taxas de juros mais elevadas.

Além disso, ele salientou que as empresas têm a opção de tomar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a juros mais baixos do que nos bancos privados. Garcia ressaltou ainda que a baixa destinação de crédito a empresas se acentua em momentos de crise econômica, porque aumenta o temor da inadimplência, como ocorreu com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Por trás do crescimento de empréstimos pessoais também tem outros fatores, como admitiu o economista da CNI. A começar pelo controle da inflação, depois da adoção do Plano Real, em 1994, o que permitiu aos bancos darem crédito de longo prazo e as pessoas puderam planejar suas dívidas; em seguida, a expansão do empréstimo consignado, descontado diretamente do salário, com juros menores que os de mercado. Tanto que em 2006 a participação da pessoa física no total do crédito bancário já estava no patamar atual.

Por último, em razão da crise financeira mundial, o governo estimulou o consumo do cidadão, como forma de movimentar a economia doméstica, e ofereceu descontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas compras de veículos, eletrodomésticos e material de construção. O aumento da oferta de emprego e o crescimento da massa salarial também impulsionaram as compras a crédito ou financiadas.

(Redação - Agência IN)