Reserva de ações da Petrobras tem baixa demanda

S O PAULO, 14 de setembro de 2010 - O primeiro dia da reserva das ações da Petrobras para a capitalização mostrou que os investidores ainda estão indecisos com relação a montar ou não posições nos papéis ofertadas pela companhia. Embora em algumas corretoras consultadas a demanda tenha sido relativamente expressiva em certos casos, a maioria relatou que durante as dezenas de ligações recebidas os agentes se mostram resolutos em adquirir as ações neste momento e informam que "vão aguardar até o último momento por mais informações".

"O que a gente tem observado e compartilha nos bastidores entre as corretoras é que todas recomendaram a compra, mas a demanda tem sido bem pequena, pelo menos neste momento do processo", alega um economista. Segundo ele, apesar da baixa demanda, é natural neste tipo de operação que envolve uma imensidão de detalhes os investidores deixarem para se posicionarem a respeito nos últimos momentos.

"Tem gente que não entendeu o funcionamento do processo, não sabe se deve comprar no período dos prioritários ou se deve comprar quando as ações estiverem disponíveis a todos os investidores", aponta um analista.

Por outro lado, outro economista assinala que o receio se deve principalmente ao conturbado mercado acionário, que espanta o investidor de renda variável, já que o cenário macroeconômico ainda se mostra incerto, vide a desaceleração na economia dos Estados Unidos e a crise creditícia na Europa. "A procura por pessoas físicas efetivamente é baixa, embora os questionamentos sejam muitos. A operação é bastante complicada para o homebroker entender, mas aqueles que têm condições de levar as ações utilizando o FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] não perderam tempo, neste caso a demanda foi alta", explica mais um economista.

Apesar de no momento os pedidos de reservas das ações ainda serem para prioritários, há casos de pessoas que abriram contas em corretoras para poder participar futuramente do processo de capitalização, conforme relatou um economista de uma corretora paulista.

No geral, embora varie de corretora a corretora, as garantias exigidas para efetuar o pedido de reservas gira em torno de 10% a 50%, porém houve um caso citado em que o economista afirmara que sua corretora não exige nada para garantir as reservas.

Devido ao rígido período de silêncio requisitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), todas as corretoras consultadas para realizar este levantamento pediram que não tivessem seus nomes divulgados.

(Sérgio Vieira - Agência IN)