Petrobras não é melhor opção do momento, dizem especialistas

S O PAULO, 15 de setembro de 2010 - A capitalização da Petrobras pode gerar um cenário bastante arriscado ao investidor. Segundo analistas, é preciso lembrar que todo este aumento de R$ 150 bilhões no capital social da companhia será investido na exploração do petróleo. "Esse dinheiro não vai ficar na companhia. Já tem fornecedores na fila para recebê-lo", analisa uma economista, acrescentando que o retorno destes investimentos serão vistos apenas no longo prazo, "de seis a dez anos".

"A Petrobras terá que comprar equipamentos, o seguro destes equipamentos, após o desastre da BP (British Petroleum), deve estar muito elevado. A cessão onerosa inclui seis ou sete reservas, a estatal vai ter que ficar perfurando, fazendo buscas por petróleo nestes lugares e por fim vai ter que contratar muita gente. Grande parte desse pessoal terá que ser formado pela companhia para ter a qualificação necessária, tudo isso é custo", destacou.

No mesmo sentido, Antonio Colangelo Luz, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, avaliou que a companhia não é a melhor opção de investimento para quem pretende começar a comprar papéis agora. "O rendimento da Petrobras vem caindo muito. Em 2003, o dividendo pago pela companhia foi de R$ 4. Em 2009, o pagamento caiu para R$ 0,89. A rentabilidade sobre o patrimônio da estatal recuou de 40% em 2000, para 18% neste ano. Em 2002 a empresa tinha 32 mil empregados, hoje são 77 mil, é mais que o dobro. Isso tem um custo alto", ressaltou Luz.

"Ações como da Vale, CPFL, Itaúsa, acabam sendo opções bem melhores", disse. Ele ponderou, entretanto, que a companhia é um patrimônio nacional e uma certeza de retorno financeiro no futuro.

"É natural que os rendimentos diminuam no período de investimentos da companhia. Mas isso também assegura rendimentos futuros. Agora, o investidor que for mais racional pode preferir não comprar no momento. Ele vai comprar quando os rendimentos destes investimentos começarem a vir, e a partir do momento que os investidores veem a situação desta forma, poderá acontecer uma realização do papel, consequentemente, desvalorização."

(Carina Urbanin - Agência IN)