Valores externos do algodão em pluma atingem máxima

S O PAULO, 13 de setembro de 2010 - Quanto aos valores externos do algodão em pluma, apesar de o movimento de alta ter sido menos intenso, os preços caminharam para as máximas históricas. Enquanto no mercado mundial prevalecem as preocupações com a safra do Paquistão e ordens de compras são emitidas diante de indicadores técnicos positivos, no Brasil, a demanda firme e a baixa disponibilidade de produto, em plena safra, deram o tom altista, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No dia 17, o Icac (Comitê Consultivo Internacional de Algodão) divulgou relatório sobre a situação das lavouras de algodão do Paquistão - quarto maior produtor mundial. Após as fortes chuvas que resultaram em inundações no país, estima-se que entre 6% e 8% da área de algodão se perderam completamente - o governo provinciano ainda não pode estimar ao certo a perda.

Ainda conforme dados do Icac (Comitê Consultivo Internacional do Algodão), divulgados em 1º de setembro, a produção e o consumo mundial de algodão devem ser de 25,1 milhões de toneladas na safra 2010/11, volumes 15,1% e 2% superiores aos de 2009/10, respectivamente. Dessa forma, os estoques finais devem se manter em 9,1 milhões de toneladas, com a menor relação estoque/consumo desde 1989/90. Esse cenário é que tem impulsionado os preços em nível mundial. O Icac estima que a média do Cotlook A na safra 2010/11 será de US$ 0,8900/lp, valor 14,8% superior à média da safra 2009/10 (US$ 0,7754/lp).

Na ICE Futures (Bolsa de Nova York), os contratos subiram no correr de agosto. O impulso veio por parte do interesse de especuladores no mercado e seus indicadores altistas, pela valorização dos grãos em Chicago, por compras baseadas em indicadores técnicos e pelo aumento das exportações dos Estados Unidos. Em agosto, o contrato Outubro/10 teve alta de 8,16%, Dezembro/10, 9,45%, Março/11, 11,08% e Maio/11, 10,72%.

No mesmo período, o Cot A registrou alta de 10,56%, fechando o mês a US$ 0,9420/lp. O dólar valorizou 0,06% frente ao Real, com média mensal de R$ 1,7598/US$. A paridade de exportação calculada pelo Cepea, FOB Paranaguá, teve alta de 11,19% em agosto, fechando com média de R$ 1,3419/lp.

Segundo informações do USDA divulgadas no início do mês, a produção norte-americana de algodão crescerá 52% na safra 2010/11, para mais de 4 milhões de toneladas, o que favorecerá aumento de 25% nas exportações. Em termos mundiais, o USDA aponta que a safra 2010/11 terá aumento de 14,4% na produção, para 25,4 milhões de toneladas. Porém, o consumo crescerá 2,7%, para 26,3 milhões de toneladas, o que fará com que os estoques finais da safra 2010/11 fiquem ainda menores que os da safra anterior. O maior consumo favorecerá as transações mundiais, que deverão crescer 5,6%, puxadas principalmente pelas compras da China.

(Redação - Agência IN)