Preços do café robusta recuam no mês de agosto

S O PAULO, 13 de setembro de 2010 - Os preços do café robusta recuaram novamente em agosto. Diante das baixas, vendedores se retraíram, negociando apenas quando havia necessidade de "fazer caixa" para as despesas de curto prazo. Neste cenário, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima foi de R$ 171,45/saca de 60 kg em agosto, praticamente estável em relação à de julho. O tipo 7/8 bica corrida teve média de R$ 163,49/saca em agosto, queda de 0,7% no mesmo período. Na Bolsa de Londres (Euronext.Liffe), o contrato com vencimento em novembro fechou o mês a US$ 1.641/tonelada, forte queda de 8,5% em relação ao primeiro dia do mês.

Quanto à safra 2010/11, o tempo seco durante o período de granação do café robusta prejudicou o desenvolvimento dos grãos da variedade. No Brasil, apesar de a safra atual de robusta ser maior em relação à anterior (2009/10), agentes consultados pelo Cepea comentam que o tamanho dos grãos do Espírito Santo está menor, reduzindo o rendimento em sacas - segundo a Conab, o estado capixaba deve produzir 7,33 milhões de sacas, 3,6% a menos que a safra anterior.

Nos outros países produtores de robusta, também há motivo para preocupação. Em Uganda, maior país produtor de robusta na África, a ocorrência de uma estiagem de cinco meses em 2009 fez com que a Autoridade de Desenvolvimento de Café da Uganda (UCDA) reduzisse as estimativas de embarques por três vezes. A estimativa inicial, de 3,4 milhões de sacas, foi reduzida para 3,1 milhões, depois para 2,9 e, agora, para 2,7 milhões de sacas. Restam cerca de dois meses para o final da temporada 2009/10 no país africano.

No Vietnã, maior produtor mundial da variedade robusta, notícias divulgadas em agosto mostram situação semelhante à do Brasil, com produtores vendendo pequenas quantidades. A colheita da variedade teria atrasado, e a lentidão nas negociações pode durar até outubro, quando se inicia a nova temporada.

Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), o volume produzido pelo país vietnamita na safra 2010/11 deve ser igual ou inferior ao colhido na temporada 2009/10, estimado em 18 milhões de sacas. Segundo meteorologistas locais, foram previstas chuvas significativas para o cinturão do café do Vietnã, mas não há relatos de eventuais perdas de produtividade.

Apesar do possível benefício das chuvas - já que na safra atual, o clima seco prejudicou o desenvolvimento dos cafezais -, a preocupação seria com a possibilidade de queda dos grãos antes da maturação completa. Até a temporada 2011/12 brasileira já é vista com preocupação, visto que a ausência de chuvas dificulta a ocorrência e fixação das floradas. No caso do robusta, apesar de já ter ocorrido uma boa florada em meados de junho, o tempo seco deverá reduzir o vigor nos cafezais. Assim, a expectativa é de produção menor na safra 2011/12, em relação à temporada atual.

(Redação - Agência IN)