Oferta de boi gordo enxuta eleva preços a valores máximos

S O PAULO, 13 de setembro de 2010 - Com a oferta de boi gordo ainda bastante enxuta, frigoríficos tiveram forte dificuldade para novos agendamentos no correr de agosto. Segundo dados do pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse cenário foi observado até mesmo para as unidades que têm abatido abaixo da capacidade e/ou em dias intercalados. Nessas condições, alguns frigoríficos consultados pelo Cepea passaram a pagar os valores máximos do intervalo vigente - que são aqueles ofertados a prazo -, mas encurtando o prazo ou até mesmo quitando à vista.

Assim, considerando as informações do Cepea, os preços à vista acabaram se igualando ou até mesmo superado aqueles ofertados a prazo. Segundo pesquisadores do Cepea, o que se viu foi uma concentração dos negócios com pagamento à vista a valores reajustados em bases praticamente diárias. Já as negociações a prazo, muitas vezes ocorreram em menor proporção e nem sempre com os mesmos percentuais de reajustes concedidos para os negócios à vista.

Além da dificuldade para compra, o aumento de efetivações à vista em relação aos fechamentos a prazo foi verificado também devido à menor participação de agentes que geralmente negociam a prazo. Conforme pesquisas do Cepea, parte desse recuo comprador, por sua vez, está atrelada às aquisições de lotes realizadas anteriormente e pelo abate de animais advindos de confinamentos próprios.

Esse contexto trouxe certo ânimo aos pecuaristas, mas poucos vendedores consultados pelo Cepea tinham lotes significativos para aproveitar as cotações em alta. O receio de muitos é que a entrega dos animais confinados acabe ocorrendo de forma concentrada, pressionando, então, as cotações justamente quando seria a sua hora de negociar.

Entre os compradores, destaca-se o temor de que o encarecimento da arroba de boi combinado à dificuldade de crédito a juros compatíveis com a saúde financeira de muitas empresas frigoríficas venham a resultar em comprometimento das atividades de algumas delas em médio e longo prazos. Entre os pecuaristas, a propósito, essa situação também é levada em conta. Segundo pesquisadores do Cepea, são freqüentes as queixas sobre a redução das empresas compradoras em algumas regiões.

No dia 31 de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (SP, à vista, CDI, com 2,3% de Funrural) fechou a R$ 92,23. A média de SP a prazo foi de R$ 92,79, expressivo aumento de 7,3% no acumulado de agosto - a maior elevação para o mês desde 2002. No balanço de 2010, a valorização da arroba é de quase 20%.

O menor volume de abate, por sua vez, diminuiu a oferta de carne no mercado atacadista da Grande São Paulo, impulsionando os preços dos cortes no correr do mês. Segundo dados do Cepea, no acumulado de agosto, o boi casado valorizou 6,86%, fechando o mês negociado a R$ 5,93/kg. O valor médio da carcaça vaca casada subiu 7,72%, passando para R$ 5,63/kg. Os preços médios do traseiro e do dianteiro acumularam altas de 4,95% e de 7,56%, respectivamente, em agosto.

(Redação - Agência IN)