Falta de profissionais qualificados é tema de debate

S O PAULO, 13 de setembro de 2010 - A indústria naval e offshore, impulsionada pelo setor de petróleo e gás, abriu um mar de oportunidades no Brasil, mas a baixa escolaridade do País é um gargalo que tem de ser vencido pelas empresas. A avaliação foi apresentada pelo presidente do Estaleiro Atlântico Sul, ngelo Bellelis, no painel técnico "Capital Humano como fator crítico de sucesso para o desenvolvimento da indústria do petróleo do Brasil", realizado nesta segunda-feira, na Rio Oil & Gas.

De acordo com Bellelis, de 2000 a 2009, foram encomendadas aos estaleiros do país 138 embarcações. Entretanto, com o aquecimento puxado pela indústria do petróleo, as encomendas só em 2010 chegaram a 170. Esse número mostra o tamanho do desafio que os estaleiros têm de enfrentar para conseguir mão-de-obra.

O estaleiro Atlântico Sul, de Pernambuco, teve de formar e contratar 5 mil trabalhadores desde sua inauguração, há três anos. "Hoje temos 5 mil funcionários treinados e 80% deles são naturais de Pernambuco", conta Bellelis.

Na estratégia de trazer operários já qualificados, o Atlântico Sul trouxe até 125 dekasséguis, que trabalhavam em estaleiros japoneses e quiseram voltar ao Brasil. Além disso, um dos acionistas do estaleiro, a Samsung, trouxe coreanos com expertise no setor.

O problema da falta de mão-de-obra qualificada não atinge somente os estaleiros, mas toda a indústria do petróleo. Segundo Diego Hernandes, gerente-executivo de Recursos Humanos da Petrobras, que também participou do painel, a falta de engenheiros e outros profissionais de nível superior também é um desafio.

De acordo com Hernandes, dos 14.800 engenheiros de petróleo formados a cada ano no mundo, cerca de 10% são graduados no Brasil. Para os 13.400 geólogos e geofísicos formados no mundo, cerca de 9% estão no Brasil. A China produz um terço dos formados nas categorias acima.

(Redação - Agência IN)